Acidente no Japão atrasa usinas do nordeste

O presidente da Eletronuclear, estatal encarregada de construir e operar as usinas nucleares no país, Othon Pinheiro da Silva, atribui a "motivações exclusivamente políticas" o movimento para desligar usinas em operação ou suspender as obras de usinas em construção no mundo. São 440 usinas em operação e outras 52 em construção, além de centenas em projeto. No Brasil, são duas em operação, uma em construção e outras quatro em planejamento.

Marta Salomon, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2011 | 12h00

A usina nuclear de Angra 3 deverá entrar em operação em dezembro de 2015, informou o presidente da Eletronuclear, embora o governo ainda não tenha detalhado o projeto de depósito de longo prazo para os resíduos das usinas nucleares, uma das exigências feitas pelo Ibama para autorizar o início da operação da usina. As obras foram interrompidas nos anos 80 e retomadas no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Othon Silva contou que prepara um "atlas" do potencial nuclear brasileiro, onde serão identificadas 40 áreas de todo o País considerados ideais para abrigar novas usinas nucleares. Segundo ele, esse atlas, elaborado em conjunto com a Empresa de Política Energética (EPE), será divulgado pelo Ministério de Minas e Energia.

Um segundo estudo em andamento é a revisão do Plano Nacional de Energia para 2035. O documento dirá quantas novas usinas nucleares serão construídas no país até essa data. Segundo o presidente da Eletronuclear, o "cardápio de opções" será levado à consideração da presidente Dilma Rousseff e de seus ministros.

Por ora, os planos oficiais preveem a construção de mais quatro usinas de 1.000 MW (megawatts) cada uma. As duas primeiras dessas usinas seriam construídas na região Nordeste, provavelmente às margens do rio São Francisco. Mas a decisão final está adiada até que se tenha uma dimensão exata dos estragos causados pelo acidente nuclear de Fukushima. "Podemos afirmar que o acidente nuclear no Japão não implica em elementos objetivos que possam alterar os rumos atuais do Programa Nuclear Brasileiro, a não ser a incorporação das lições técnicas", disse Othon Silva.

O presidente da estatal reiterou que o governo revê as medidas de segurança nas usinas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e estuda a construção de uma pequena central hidrelétrica na região, além de quatro cais no mar, que possam servir para a evacuação da população da cidade, em caso de emergência nuclear.

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