Acidente da BP seria evitado no Brasil, diz governo

Métodos de fiscalização do País impediriam a ocorrência de acidentes como o do Golfo do México

Lu Aiko Otta e Renato Andrade, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2010 | 12h18

Pelo que se sabe até agora sobre o acidente com a plataforma da British Petroleum (BP) no Golfo do México, coisa semelhante não teria ocorrido no Brasil. A afirmação é do secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida.

 

“As falhas que sabemos com certeza que aconteceram lá não deveriam acontecer aqui”, disse. “Temos procedimentos e métodos de fiscalização que permitiriam evitar que aquilo acontecesse.” Ele observou, porém, que boa parte do acidente ainda precisa ser investigado.

 

O vazamento de óleo no golfo do México começou no dia 20 de abril, quando uma plataforma da BP explodiu e a peça que deveria ter fechado o poço Macondo – chamada blowout preventer (BOP) – falhou. Na última quarta-feira (4), a petrolífera anunciou que o poço está praticamente fechado. Até o fim deste mês ela deve concluir a abertura de outro poço, que retirará a pressão da área do vazamento. Só quando Macondo estiver desativado é que será possível retirar o BOP do fundo do mar e então apurar exatamenteo que aconteceu.

 

“Há uma diferença grande entre o Brasil e os Estados Unidos”, disse Almeida. Aqui, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) estabelece as normas de segurança para a exploração de petróleo. Lá, esses procedimentos ficam a critério de cada empresa.

 

Os BOPs utilizados no Brasil são mais seguros do que o de Macondo, porque têm duas “gavetas”. Se uma delas falhar ao fechar o poço, como ocorreu nos EUA, a outra entrará em ação. A ANP exige também que os BOPs tenham dois comandos para fechar.

 

Assim, se a plataforma (onde está um comando) explodir, será possível acionar o fechamento de outro ponto, como uma embarcação, por exemplo. “Também dá para fechar manualmente, mandamos um robô para lá e ele fecha”, explicou o secretário.

 

Há sete BOPs da mesma marca do equipamento que falhou em operação no Brasil. Por precaução, foram todos vistoriados.

 

Os procedimentos do Brasil e da Noruega são citados pelos especialistas em todo o mundo como exemplos a serem seguidos. As medidas preventivas evoluíram aqui à custa de três acidentes: dois na plataforma de Enchova (em 1984 e 1988) e um na P-36 (2001).

 

Lições

 

O acidente da BP ainda precisará ser estudado pelo Brasil para definir, em primeiro lugar, se é preciso mudar algum procedimento de segurança. E, em segundo lugar, para criar um plano de ação caso algo semelhante ocorra aqui.

 

É o chamado Plano Nacional de Contingência. “A BP desenvolveu equipamentos para tentar fechar o poço que vamos ter de estudar”, disse Almeida.

 

A luta da BP para conter o vazamento levantou questionamentos sobre, porexemplo, a quantidade de espessantes (uma substância que, misturada ao petróleo, o faz afundar) disponível no Brasil. “Para aquele volume de vazamento,ninguém tem a quantidade necessária”, afirmou.

 

O secretário revelou que parte das barreiras de contenção da mancha de óleo utilizadas no Golfo do México eram do Brasil. “Ficamos a descoberto”, admitiu. Mas, explicou, esse é o procedimento utilizado no mundo inteiro: quando tem um acidente, todo mundo ajuda.

 

Estocar no País todo o material para combater um acidente como o dos EUA seria caro e desnecessário, disse ele.

 

Após o governo americano suspender a exploração de petróleo no mar, começou uma especulação sobre a adoção da mesma medida pela Europa e outros países. “Não sei se é uma medida adequada”, comentou Almeida.

 

“Produzimos em águas profundas há quantos anos? Marlin foi descoberto em 1986. Será que nesses 24 anos tudo o que fizemos estava tão arriscado que eu vou ter de parar tudo o que estava fazendo?”

 

 

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