Coletivo CLAP / Virada Sustentável
Coletivo CLAP / Virada Sustentável

'É como uma festa em casa, com os amigos', diz André Palhano, criador da Virada Sustentável

Maior festival de sustentabilidade do Brasil ocorre a partir desta quinta-feira, dia 24, com mais de 500 eventos ligados a arte, bem-estar e meio-ambiente

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

22 Agosto 2017 | 18h01

Nesta semana, entre 24 e 27 de agosto, acontece em São Paulo o maior evento de sustentabilidade do Brasil, a Virada Sustentável. O festival vai reunir, segundo expectativa dos organizadores, mais de 500 eventos ligados a arte, conhecimento, atividades corporais, bem-estar, saúde, cuidados com o meio ambiente, entre outros temas, em mais de 100 locais diferentes da cidade.

Confira a programação completa da Virada Sustentável

Conversamos com André Palhano, criador do festival, para falar sobre a história do evento, sua importância para as cidades e as expectativas para essa edição.

Como você teve a ideia de criar a Virada?

Ela começou em 2010, quando eu e mais um grupo de pessoas percebemos que a sustentabilidade era associado apenas a questões ambientais, “verdes”. E a comunicação associada ao tema não era atraente, cobrava uma postura das pessoas. Então pensamos em como fazer uma campanha de informação mais sedutora. E o que é mais sedutor do que um festival, uma festa, juntando cinema, teatro, música, tudo o que tivesse relação com o tema?

Como foi a primeira edição e como é o formato do evento?

Nós não produzimos ou bancamos a Virada inteira. Nós estimulando organizações, escolas, coletivos e projetos a agitarem os eventos. É como se fosse uma festa em casa, você compras alguns petiscos e pede para os amigos trazerem a bebida. Já na primeira edição, em 2011, tivemos 400 eventos. Nunca imaginamos que teria esse tamanho. Mas esse formato explica porque desde a primeira edição o festival foi tão grande.

E quais são as suas expectativas para essa edição?

Até ontem eram 560 atrações confirmadas, espalhadas por mais de 100 locais. Neste ano as principais atrações vão acontecer no Parque do Ibirapuera e no Unibes Cultural. No Unibes vai acontecer muita roda de conversa, entremeada com cinema, teatro e contação de histórias. E no fim de semana o parque vai ser tomado por atrações e shows.

O evento começou para mostrar que sustentabilidade vai muito além de ecologia e meio ambiente. O que mais tem relação com sustentabilidade que as pessoas normalmente não associam?

É claro que temas como água, biodiversidade e mudanças climáticas estão na origem desse tema da sustentabilidade. Mas você tem uma série de conceitos como erradicação da pobreza, redução da desigualdade, bem-estar, saúde, educação, produção e consumo responsáveis, cultura de paz, mobilidade, entre outros, que também fazem parte desse amplo guarda-chuva. Imagine uma sociedade avançada, 100% ecológica, com carros que não poluem. Mas esse cenário é sustentável se o trânsito não fluir? É um amplo conjunto de temas.

É por isso que adotamos como eixo temático, desde a edição do ano passado, a agenda dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Eles falam sobre água e biodiversidade, mas também de outros temas associados. Para este ano, fizemos uma parceria com o Pnud. Orientamos um evento cultural com essa que é a melhor tradução de sustentabilidade.

Hoje a Virada é realizada em outras cidades. Como foi essa expansão? 

Há mais ou menos cinco anos começou a aparecer o interesse de outras cidades que também queriam fazer a Virada. Então criamos uma metodologia que garante que não levemos o evento pronto, com a visão de São Paulo. Nós chegamos a uma cidade e mapeamos grupos, projetos e coletivos que estão fazendo transformações nessas diferentes áreas da sustentabilidade e criamos os conteúdos dos eventos de forma bastante colaborativa, para falar de temas que interessam a cada território. Três anos atrás tivemos a primeira Virada fora de São Paulo, em Manaus. Neste ano são oito cidades além de São Paulo: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Manaus, Sinop, São Sebastião/Ilhabela, Valinhos, Campinas e Salvador. Sou suspeito para falar, mas é um acontecimento que faz muito bem para as cidades.

Vocês têm essa preocupação de montar uma agenda regional. Em que evento isso foi mais positivo?

Um bom exemplo é Rio de Janeiro. Das reuniões de co-criação surgiram cinco temas com mais expressão: água, mobilidade urbana, violência contra a mulher/igualdade de gêneros, cultura de paz e biodiversidade/mudanças climáticas. Tivemos, por exemplo, no Favela Hub, um polo de inovação social na favela Cantagalo/Pavão-Pavãozinho, uma programação linda feita pela própria comunidade junto com parceiros, ligada ao tema de erradicação da pobreza, direitos humanos e redução de desigualdade. E isso vale também para diferentes realidades dentro de uma mesma cidade. Aqui em São Paulo a Virada está em vários lugares da periferia, temos essa preocupação. Linguagem, forma e conteúdo, são diferentes em cada local. Isso cria um nível de empoderamento e participação muito maior do que se impuséssemos uma programação. 

Por exemplo, no ano passado, em São Paulo, o Fórum de Sustentabilidade de Heliópolis aconteceu dentro do CEU Heliópolis, dentro da Virada. Neste ano uma das edições do festival de agricultura urbana também aconteceu dentro do festival. Então a Virada estimula, organiza, facilita e dá mais visibilidade para esses micro e médios eventos. E tem essa coisa da cidade se expressar de diferentes formas.

Neste ano a Virada vai incluir muitos eventos de bem-estar, como meditação e yoga. Como essas atividades se conectam com a sustentabilidade?

Saúde e bem-estar estão entre os objetivos da ONU. E temos notado desde a primeira Virada que as atrações “zen” têm tudo a ver com você saber qual é a sua realidade e como você se enxerga no mundo. Não é possível abrir esse escopo de possibilidade se você não tem respeito pelo próximo e pela vida. Nossa sociedade está levando uma vida pouco saudável, então essas atividades têm a intenção de promover o bem-estar, mas também ajudam a abrir o corpo e a mente, tornando mais fácil a assimilação de uma nova visão de mundo.

Quais são os destaques do evento, aquilo que o público não pode perder?

Teremos os shows da Tulipa Ruiz e do Marcelo Jenecei no sábado, 17h30, e do Arnaldo Antunes, domingo, às 17h, ambos no Parque do Ibirapuera. São artistas escolhidos a dedo pelos projetos que apoiam e que têm a ver com o tema do evento. Teremos, também no Ibirapuera, o Circuito dos ODS, que serão 17 painéis pintados por grafiteiros, cada um representando um ODS, e que ficarão expostos durante um mês. Também teremos atrações interessantes no planetário, no UMAPAZ (também no Ibirapuera) e rodas de conversas no Unibes Cultural. No site da Virada temos as atrações mais procuradas pelo publico. É possível montar a sua programação e compartilhar com os amigos.

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