A relação entre as geleiras e os vulcões

A relação entre as geleiras e os vulcões

Vulcanologistas ligam peso dos grandes lençóis de gelo às erupções e alertam para risco do aquecimento global

The Economist

11 Dezembro 2017 | 03h00

No fim da última era glacial, há cerca de 11,7 mil anos, o clima da Terra começou a se aquecer rapidamente. Enquanto o planeta esquentava, as vastas geleiras recuaram. Quase imediatamente depois (ao menos em termos geológicos), a atividade vulcânica aumentou repentinamente. Isso não era nada novo. 

Os registros geológicos têm muitas evidências de grandes contrações glaciais seguidas de erupções vulcânicas mais frequentes. As geleiras, em outras palavras, parecem conter os vulcões, que, ao mesmo tempo, passam por um período de grande vitalidade na sua ausência.

Isso, pelo menos, é o caso quando ocorrem alterações climáticas realmente grandes. O que ficou menos claro é saber se mudanças mais modestas na cobertura do gelo também podem afetar a quantidade de erupções. Como os seres humanos andam ocupados aquecendo o planeta, e, por consequência, tornando menores as poucas geleiras relativamente exíguas que ainda existem, esta é uma questão importante. 

Seria interessante saber se a ocorrência de mais erupções vulcânicas pode ser outra consequência do aquecimento global. Em um artigo científico que acaba de ser publicado na revista Geology, Graeme Swindles, um geógrafo da Universidade de Leeds (ING), sugere que isso acabará acontecendo.

Ainda são desconhecidos os detalhes precisos de como as geleiras estão ligadas a erupções vulcânicas. Mas os vulcanologistas teorizam que a pressão é fundamental. A ideia é que o peso exercido pelos grandes lençóis de gelo comprime a crosta e o manto abaixo. 

Isso compacta os canais dentro da rocha por meio dos quais o magma viaja na direção da superfície. Ele também deixa menos espaço para que as águas superficiais encontrem seu caminho para baixo nas rochas, onde, como vapor, podem aumentar a pressão dentro das câmaras de magma. Retirando-se o gelo, em contraste, tais processos são invertidos.

Swindles e seus colegas estudaram camadas de cinzas de vulcões islandeses que foram depositadas sobre a Islândia e o norte da Europa durante o período relativamente moderado desde o fim da era glacial. Assim como analisaram sedimentos vulcânicos da própria Islândia. 

A análise revelou um período incomum, entre 5,5 mil e 4,5 mil anos atrás, quando nenhuma cinza de vulcões islandeses foi parar na Europa, e quando o registro de sedimentos da Islândia sugere que não aconteceram grandes erupções. Ao comparar o registro vulcânico com a literatura climática, Swindles descobriu que a ausência de erupções foi precedida por uma grande alteração nos padrões de circulação atmosférica há cerca de 6,1 mil anos. 

Isso teria sido um incentivo para o avanço das geleiras da Islândia. Quando as condições mudaram de novo, mil anos depois, desta vez para favorecer o recuo glacial, a atividade vulcânica se recuperou depois de algumas centenas de anos.

Com base nessas descobertas, o pesquisador Swindles argumenta que mesmo aumentos secundários e diminuições na cobertura das geleiras provavelmente afetam a atividade vulcânica, embora em um intervalo de tempo de talvez 500 ou 600 anos. 

O mundo moderno já está se recuperando de sua própria glaciação em miniatura, a “Pequena Era do Gelo”, que durou de cerca de 1.500 a 1.850. Combine-se isso com um derretimento glacial ainda maior, causado nesse período pelo aquecimento causado pelo homem, e os séculos seguintes poderão ser notavelmente mais ferozes e violentos do que aqueles do passado recente.

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TRADUZIDO POR CLAUDIA BOZZO, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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