CELSO JUNIOR/AE
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'A questão ambiental já mobiliza o comportamento individual', diz Izabella Teixeira

Em entrevista exclusiva ao estadão.com.br, a ministra do Meio Ambiente fala sobre a sustentabilidade no comportamento do brasileiro

Andrea Vialli, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2010 | 11h48

A população do País está atenta às questões ambientais, mas tem dificuldade de colaborar, especialmente se tiver de gastar – mais de 90% dos brasileiros não estão dispostos a desembolsar mais por produtos ecologicamente corretos, como eletrodomésticos econômicos e alimentos orgânicos.

 

Por outro lado, há disposição para economizar água (63% da população) e energia elétrica (48%) e para deixar de usar sacolas plásticas (40%). São alguns resultados da pesquisa Sustentabilidade: Aqui e Agora, encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente e pela rede de supermercados Walmart, que será apresentada hoje em São Paulo. Foram ouvidas 1,1 mi pessoas em 11 capitais. O objetivo do estudo, realizado pela empresa de pesquisas Synovate, é entender os hábitos dos brasileiros em relação a consumo verde e aos problemas ambientais.

 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, falou ao Estado sobre os resultados do estudo.

 

O que a pesquisa traz de novo sobre o comportamento do brasileiro em relação às questões ambientais?

 

A conclusão é que houve uma evolução. O meio ambiente aparece como um tema de preocupação para os brasileiros, ao lado de assuntos como saúde, saneamento, transportes. O tema precisa ser melhor trabalhado nas relações de consumo, em especial nas classes C e D. Mas é importante destacar que a questão ambiental já mobiliza o comportamento individual.

 

A pesquisa aponta que 53% dos brasileiros não separam o lixo seco do úmido para encaminhar à reciclagem. Ao mesmo tempo, existe a disposição para reciclar e para abolir sacolas plásticas. Como a sra. interpreta esses dados?

 

A gente percebe ainda uma distância entre perceber o problema e começar a praticar. 70% dos entrevistados jogam pilhas e baterias no lixo doméstico e 17% guardam lixo eletrônico em casa, por não saber que destino dar a ele, por exemplo. Por outro lado, os dados reforçam o papel dos catadores, que são vistos hoje como o principal agente de reciclagem nos bairros. A questão dos resíduos é apontada como importante, e vem em bom momento, pois estamos regulamentando a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

 

Falando em regulamentação da PNRS, a pesquisa aponta que caminhos devem ser tomados?

 

A sociedade sinaliza que tanto a reciclagem do lixo quanto o problema das sacolas plásticos são temas importantes. Mais de 60% das latas, garrafas e outras embalagens que o brasileiro encaminha para reciclagem são recolhidas por catadores. Ou seja, há uma percepção por parte da população, e não pelo poder público, de que o catador é um agente importante e que tem impacto no serviço público.

 

Um dado interessante é que é alta a percepção (59%) de que a preservação dos recursos naturais deve estar acima das questões relacionadas à economia.

 

Isso mostra que os brasileiros querem desenvolvimento, mas com atenção às questões ambientais e que é um falso dilema contrapor economia e ecologia. Esse é um dado surpreendente, pois há 20 anos atrás a resposta seria bem diferente disso. Além disso, é clara a aposta na próxima geração. Meio ambiente é um tema que mobiliza a juventude e isso ganhará contornos na agenda política.

 

Há disposição do brasileiro para adotar hábitos mais sustentáveis?

 

As pessoas estão dispostas a racionar o consumo de água (63%) e energia (46%) em casa. Penso que os hábitos de consumo estão em transformação, as pessoas só precisam ter acesso a mais informação.

 

De que forma o MMA pretende utilizar os dados desse estudo?

 

A pesquisa sinaliza o rumo que a sociedade espera das políticas públicas.  Ela ajuda em três coisas: formular ações mais articuladas com os interesses da sociedade; de novo, salta aos olhos a importância da figura do catador para a gestão do lixo, o que deve convergir como uma prioridade para o Ministério estruturar o trabalho deles; em terceiro, a pesquisa aponta para a necessidade de fortalecer a gestão ambiental local, por meio das prefeituras e parcerias com instâncias e lideranças locais. A pesquisa é  um instrumento valioso para nossas próximas ações.

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