Programa Queimadas do Inpe
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A pedido de Bolsonaro, PF vai investigar supostos incêndios criminosos no Pará

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, confirmou o pedido do presidente por uma "apuração rigorosa" e afirmou, no Twitter, que "incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos"

Breno Pires e Giovana Girardi, O Estado de São Paulo

25 de agosto de 2019 | 16h17
Atualizado 25 de agosto de 2019 | 21h27

BRASÍLIA - A pedido do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, determinou à Polícia Federal a abertura de uma investigação sobre supostos incêndios criminosos na região do Pará

Moro confirmou o pedido do presidente por uma "apuração rigorosa" e afirmou, no Twitter, que "incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos".

O ponto de partida dessa investigação é o conteúdo de uma reportagem no site da revista Globo Rural que narra, entre outros pontos, a suposta atuação de um grupo de 70 pessoas – "entre sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros" –  que teriam se articulado no Whatsapp para promover queimadas no Pará no último dia 10, que foi apelidado de “Dia do Fogo”.

Essa história veio à tona no início do mês, quando o jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso, noticiou que produtores rurais locais estavam se organizando para fazer queimadas múltiplas no dia 10, o que seria uma estratégia para burlar a fiscalização.

O Ministério Público Federal do Pará chegou a informar o Ibama local, alguns dias antes, sobre o risco de ocorrerem vários incêndios naquela data. Documentos obtidos pelo Estado mostram que o órgão ambiental respondeu em 12 de agosto ao MPF que “devido aos diversos ataques sofridos e à ausência de apoio da Polícia Militar do Pará, as ações de fiscalização no Estado estão prejudicadas por envolverem riscos relacionados à segurança das equipes de campo”.

O Ibama também informou no comunicado que já havia solicitado apoio da Força Nacional, mas ainda não tinha sido atendido. E disse que no dia 10 tinha enviado uma viatura adicional para fortalecer a brigada do Prevfogo.

Imagens de satélite compiladas pelo Programa Queimadas, do Inpe, mostraram que neste dia, assim como antes e depois, houve um aumento de focos em Novos Progresso e na Floresta Nacional de Jamanxim, ao lado. Produtores locais, que pediram para não serem identificados, afirmam ao Estado que a operação se tratava de limpeza de área após vários desmatamentos e que, ocorrendo ao mesmo tempo, ficava mais difícil identificar onde estavam os focos de incêndio. 

Reação

A reportagem da revista Globo Rural trouxe ainda o relato de uma pecuarista acusando funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de terem relação com o fogo. "Tinha uma moto preta colocando fogo em tudo aqui. E eles foram na minha propriedade com essa moto amarrada em cima da caminhonete deles. Tava escrito lá na porta”, disse, se referindo ao nome do instituto.

A abertura da investigação foi saudada nas redes sociais pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pelo secretário de Comunicação Social, Fabio Wajngarten, e por filhos de Bolsonaro.

O senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) falou que há um possível boicote ao governo. "Caso se confirme essa aberração, ficará evidente que o boicote ao governo existe e vem de pessoas infiltradas nos próprios órgãos oficiais", disse, citando o Twitter de Ricardo Salles. "Siga firme na missão!"

O deputado Eduardo Bolsonaro, compartilhando reportagem, interpretou que há "incêndios propositais com o fim de desgastar a imagem do PR (presidente da República) Bolsonaro".

O diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Marcos Aurélio Venancio, divulgou vídeo na noite deste domingo para informar que o órgão vai instaurar uma investigação para apurar se pessoas ligadas ao ICMBio incentivaram a prática. "Repudiamos qualquer agressão ao meio ambiente e vamos ser rígidos na apuração desses fatos", disse.  

A Procuradoria da República no Pará divulgou no dia 22 que vem conduzindo "investigações em três municípios e na capital paraense, para apurar a diminuição no número de fiscalizações ambientais na região, a ausência da Polícia Militar do Estado no apoio às equipes de fiscalização e o anúncio convocando fazendeiros para promoverem o "Dia do Fogo" no último dia 10.

 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, anunciou que vai se reunir nesta segunda-feira, 26, em Brasília, com os membros da Força-tarefa Amazônia para discutir as ações do MPF para proteger a Floresta Amazônica.

“Vamos tratar do que podemos fazer, de forma mais enérgica e enfática para, primeiro, debelar a queimada. É preciso paralisar o fogo para que não continue destruindo a floresta, a flora e a fauna daquela importante região. É urgente saber se essa queimada, que se disseminou por uma vasta área, resulta de ação ilícita. Se isso tiver ocorrido, é preciso identificar e punir os infratores”, ressaltou a PGR, ao anunciar a convocação da reunião.

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