‘A Mata Atlântica está na UTI’, diz diretor da SOS Mata Atlântica
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‘A Mata Atlântica está na UTI’, diz diretor da SOS Mata Atlântica

Luis Fernando Guedes Pinto, da SOS Mata Atlântica, explica cenário atual após aumento expressivo no desmatamento e as formas de reverter esse quadro

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2022 | 00h01

A Mata Atlântica perdeu o equivalente a 20 mil campos de futebol entre 2020 e 2021. Um total de 21,6 mil hectares de floresta sucumbiu, o que representa crescimento de 66% no desmatamento do bioma quando comparado com o registrado entre 2019 e 2020. 

Os dados do Atlas da Mata Atlântica, recém-divulgados, são alarmantes segundo quem acompanha a sobrevivência da floresta atlântica. A análise anual da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que em 15 dos 17 Estados que compõem o bioma houve aumento no desmatamento.

“Ela (Mata Atlântica) está na UTI”, afirma Luis Fernando Guedes Pinto, diretor de Conhecimento da SOS Mata Atlântica. “Para entendermos a situação, estamos falando do bioma mais desmatado da história do Brasil desde 1500, porque nós temos a menor cobertura original e tivemos um aumento no desmatamento muito expressivo.”

O País tem 28% da vegetação nativa da Mata Atlântica e o especialista reforça que é um bioma que não poderia estar perdendo floresta. “Deveríamos já ter chegado ao fim do desmatamento e estar falando exclusivamente de restauração.”

O que sobrou do bioma está espalhado de maneira desigual. “Nós temos algumas regiões, principalmente no litoral, que ainda têm, razoavelmente, muita Mata Atlântica, mas porque são áreas muito declivosas, com pouquíssima aptidão agrícola e em que não houve interesse econômico”, analisa.

Contudo, Guedes Pinto afirma que, ao se juntar a área remanescente com a regeneração natural, é possível ter a floresta voltando aos poucos. “Temos, por um lado, uma parte da Mata Atlântica rebrotando em algumas regiões, mas um pedaço ainda sendo desmatado.” 

O diretor da SOS conta que as áreas que estão sendo desmatadas são as mais valiosas, com muita biodiversidade e estoque de carbono. “É contraditório, porque, ao mesmo tempo que está regenerando, ainda estamos desmatando. Mas a situação atual, se continuar como está, pode comprometer o futuro da Mata Atlântica definitivamente.”

A degradação dessas florestas causa impactos enormes na vida de todos. “A Mata Atlântica protege nascentes e rios que abastecem 70% da população brasileira. Quando cortamos as florestas, estamos perdendo nascentes e matando nossos rios”, diz. Sem água nos reservatórios de hidrelétricas, também há risco de apagões elétricos.

“Ainda tem a questão dos desastres. Os deslizamentos em Angra e Paraty (RJ), por exemplo, são resultados do desmatamento da Mata Atlântica.” Com o desmate, também há emissão de gases do efeito estufa, que acentuam as mudanças climáticas e contribuem para ter cada vez mais eventos extremos, como secas, tempestades, enchentes, quebra de safra de produção agrícola e mais.

Reversão do problema 

Apesar de a conta ainda não fechar, existem em curso vários projetos de restauração da Mata Atlântica, que mostram quais são os caminhos que precisam ser cada vez mais seguidos.

“Sabemos como fazer, mas isso ainda numa escala menor do que perdemos de floresta. Então, se parássemos de desmatar e tivéssemos os processos de restauração e regeneração natural, estaríamos recuperando a mata em uma velocidade maior.”

No momento, o desmatamento ocorre em uma escala maior do que o plantio, confirma o especialista. “Se uma área desmatada for restaurada, para ter o mesmo valor de antes, ela vai levar décadas ou séculos. E algumas perdas são até irreversíveis, como a extinção de algumas espécies.”

A reversão dessa realidade passa pela aplicação das leis, que já existem. “A maior parte dos desmatamentos que nós temos hoje no bioma é ilegal. Precisa de mais punição para inibir desmatamentos futuros”, cobra o executivo da SOS Mata Atlântica.

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“Estamos falando do bioma mais desmatado da história do Brasil desde 1500”
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Luis Fernando Guedes Pinto, Diretor de Conhecimento da SOS Mata Atlântica

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