A. Latina é muito sensível a mudanças climáticas, diz Cepal

A América Latina e o Caribe sãoregiões altamente expostas ao impacto das mudanças climáticas esua vulnerabilidade pode aumentar se prosseguir a marcha atualda deterioração dos ambientes naturais, afirmou na quarta-feiraa Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). As mudanças climáticas, somadas à alta do preço dosalimentos, poderiam além disso aumentar a pobreza regional senão forem tomadas medidas a esse respeito, disse osecretário-executivo da Cepal, José Luis Machinea. Machinea afirmou que as mudanças climáticas já provocaramefeitos graves como inundações, tempestades tropicais de grandeintensidade, secas e deslizamentos de terra que deixaram váriosmortos e muitos prejuízos econômicos, sociais e ambientais. Nos últimos anos, além disso, observaram-se alterações nosecossistemas, queda da biodiversidade e o derretimento degeleiras na região andina, afetando as comunidades que dependemdelas, acrescentou. "Os cenários climáticos do futuro indicam que estavulnerabilidade poderia aumentar se perseverar a tendência decrescente deterioração dos sistemas naturais da região,deterioração essa que decorre da exploração excessiva, dagrande desigualdade que caracteriza a região e da limitadagovernabilidade em matéria ambiental", disse Machinea. Ao intervir em uma discussão sobre as mudanças climáticasrealizadas na Cepal, em Santiago, Machinea defendeu que oderretimento do gelo na cordilheira dos Andes teráconsequências negativas para a agricultura, a extração deminérios e a vida em cidades sul-americanas. "Nós nos preocupamos com a possibilidade de, no futuroimediato, cidades como Lima e La Paz enfrentarem uma grandecarência de água. E também devemos nos preparar economicamentepara esse tipo de situação", disse. MOMENTO DE ENTRAR EM AÇÃO Segundo dados de Machinea, em 2004, as emissões de gases doefeito estufa na América Latina e no Caribe representaramapenas 10 por cento do total mundial -- somente a África ficouabaixo da região em termos absolutos. Não obstante, se forem levadas em conta as emissões percapita, a América Latina fica acima da média da África e daÁsia sem contar a China (que registra 3 toneladas por pessoa). As matas e o solo da América Latina e do Caribe"comportam-se não como locais de absorção mas como fontes deemissões, e isso porque a região continua perdendo área verde esua fronteira agrícola e pecuária continua ampliando-se",afirmou Machinea. As emissões de gases decorrentes do desmatamento na regiãochegam a cerca de 20 por cento das emissões totais, apesar de,no caso do Brasil, essa cifra elevar-se para 60 por cento e, nodo México, para 30 por cento. O chefe da Cepal afirmou ter chegado o momento de os paíseslatino-americanos adaptarem suas finanças públicas e seu modelode investimento à nova normalidade climática, de criar segurose outros mecanismos de mitigação do risco, de minimizar asperdas e de aproveitar a oportunidade para corrigir o que sejanecessário corrigir. "Devemos também evitar a socialização das perdas privadaspor meio das finanças públicas com o objetivo de salvaguardar asaúde econômica e a estabilidade dos governos da região",afirmou Machinea.

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