Polícia Ambiental
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16 são presos por integrar quadrilha que derrubou 300 mil palmeiras

Típica da Mata Atlântica, espécie juçara está ameaçada de extinção; seus frutos estão na base alimentar de aves e mamíferos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 18h52

SOROCABA - Uma ação da Polícia Militar Ambiental e da Fundação Florestal prendeu 16 integrantes de uma quadrilha que cortava palmeiras da espécie juçara, ameaçada de extinção, para extrair o palmito, no Parque Estadual da Serra do Mar, entre a noite de terça-feira, 20, e a manhã desta quarta-feira, 21. De acordo com a fiscalização, o bando é suspeito de ter cortado ao menos 300 mil árvores no interior e no entorno do parque nos últimos anos.

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Árvore típica da Mata Atlântica, os frutos da palmeira juçara estão na base alimentar de uma importante cadeia de aves e mamíferos, muitos ameaçados de extinção. A própria juçara, dizimada por causa do palmito muito apreciado, tem o corte proibido. 

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Parte dos homens foi surpreendida fazendo a derrubada das plantas, no interior do Núcleo Santa Virgínia, em São Luiz do Paraitinga. Outros suspeitos foram presos quando tentavam fugir pela Rodovia Oswaldo Cruz, na mesma região. Foram apreendidos celulares, facões, machados, veículos e 40 unidades de palmito in natura. O acampamento usado pela quadrilha foi destruído pela equipe de fiscalização. 

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A ação começou quando vigilantes do parque e policiais ambientais acharam vestígios de que o grupo havia adentrado a mata. Seguindo as pistas, o policiamento foi encontrando e rendendo os palmiteiros um a um, até chegar ao rancho onde estavam abrigados. Três deles fugiram, mas foram presos depois. O chefe da quadrilha foi preso tentando resgatar um suposto palmiteiro ferido. A Polícia Civil apurou que alguns deles estão envolvidos em outros crimes, como estupro e homicídio, e a maior parte tinha antecedentes por crimes ambientais.

A ação rendeu 42 autos de infração ambiental por invadir unidade de conservação, cortar espécies ameaçadas e por outros danos ambientais. Os acusados vão responder pelo crime ambiental, que acarreta reclusão sem fiança, e por formação de quadrilha. Eles terão ainda que pagar multa de R$ 40 mil e recuperar a área destruída.

De acordo com o gestor do Núcleo Santa Virgínia, João Paulo Villani, a fiscalização vinha investigando a quadrilha desde 2016.

"Percebemos que era uma quadrilha com grandes ramificações. Com as prisões, esperamos diminuir o corte ilegal que retirou um grande número de árvores de dentro do parque, da zona de amortecimento e de reservas particulares da região nos últimos dois anos", disse.

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