16 medidas podem dar ao mundo uma chance de limitar aquecimento global

Reduzir fuligem e fumaça pode salvar vidas e frear o derretimento do Ártico e a subida do nível do mar

New York Times - Earthjustice

22 Junho 2011 | 11h40

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização Meteorológica Mundial afirmaram em 14 de junho que a implementação ampla de apenas 16 medidas para reduzir as emissões de carbono preto e ozônio (principalmente os precursores metano e dióxido de carbono) podem dar ao mundo uma chance de limitar a subida da temperatura mundial a 2 graus ou menos.

Estas medidas comprovadas já são usadas em alguns lugares do mundo e beneficiariam imediatamente regiões cobertas por gelo e neve, como o Ártico e as geleiras de montanhas altas, do Himalaia aos Andes à Cordilheira das Cascatas.

Ações imediatas e ambiciosas sobre o dióxido de carbono permanecem sendo a espinha dorsal de qualquer estratégia para limitar a mudança climática a longo prazo. Mas reduzir as emissões dos chamados poluentes de "vida curta", carbono preto e ozônio ao nível do solo, pode fornecer benefícios rápidos ao clima.

Por quê? Porque eles ficam na atmosfera apenas dias ou meses, comparado a cem anos ou mais para o dióxido de carbono. E ao dar ao mundo tempo crítico para implementar reduções de dióxido de carbono, há mais espaço para adaptações às inevitáveis mudanças.

Reduzir fumaça e fuligem também pode ajudar a evitar mudanças irreverssíveis para as quais estamos caminhado aceleradamente. Pensemos como um efeito dominó:

- O derretimento acelerado da camada de gelo da Groenlândia,

- Contribui para uma subida projetada em 1,5 metro no nível do mar até o fim do século,

- Posteriormente os agressivos resultados climáticos, como a liberação de metano e dióxido de carbono à medida que o gelo permanente derrete,

- O que acelera ainda mais o aquecimento global.

Cortar esses poluentes do ar também garante grandes benefícios à saúde - estes são os poluentes tradicionais que causam asma e doenças do coração e matam milhões ao redor do mundo, um flagelo para cidades grandes como Los Angeles, Mumbai e a Cidade do México, com cobertores de poluição.

A boa notícia é que algumas cidades e países ao redor do mundo já estão implementando essas 16 medidas, melhorando a saúde de seu povo enquanto ajudam a resfriar o planeta. Por exemplo, da Califórnia ao Chile e de Pequim a Berlim, programas bem-sucedidos estão em vigor para reduzir as emissões de carbono preto, ao obrigar veículos e máquinas a diesel a terem filtros de partículas. O problema é que o número de pessoas tomando estas medidas não é o bastante.

Em muitos países em desenvolvimento, fogões tradicionais para fazer tijolos e cozinhar são importantes fontes de poluição do ar, incluindo carbono preto. Fornos aprimorados, um programa no México, mostraram que as emissões de partículas e poluição podem ser reduzidas em 80%.

Fogões eficientes para cozinhar podem reduzir as emissões de carbono preto e o número das estimadas 1,9 milhão de mortes prematuras anualmente causadas pela poluição do ar dentro de casa, principalmente vinda de fogões tradicionais.

Não apenas a tecnologia para reduzir dramaticamente a fumaça está disponível, mas ela pode gerar lucros. A Índia, a Indonésia e outros lugares estão capturando emissões de metano vindas das perfurações de petróleo e as utilizando como nova e lucrativa fonte de combustível.

Minas de carvão na Alemanha, na China e na Índia estão capturando o metano (gás natural) e o usando para abastecer usinas.

Aterros em todo mundo estão capturando o metano como fonte de combustível. Monterrey, no México, abastece seu metrô e luzes da cidade com biogás de aterro. Similarmente, cidades da Bolívia a Blue Lake, Minnesota, estão recuperando metano de estações de tratamento de água, usando-o para subsituir o gás natural em suas operações. A estação em Blue Lake estima que pode economizar mais de US$ 750 mil em energia a cada ano capturando o biogás da água. Mas é preciso mais.

Reduzindo fuligem e fumaça, podemos não apenas salvar vidas, mas também resfriar o planeta e frear o derretimento do Ártico e a subida do nível do mar. Temos a tecnologia e os exemplos de implementação bem-sucedida nos EUA e no mundo. Precisamos agora de implementação bem mais ampla para obter estes benefícios, o que exigirá vontade política e recursos financeiros. A hora de agir é agora e o custa da inação é incalculável.

* Erika Rosenthal é advogada de programas internacionais da Earthjustice. Escreveu um capítulo de um relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da Organização Meteorológica Mundial sobre o papel do carbono preto e da fumaça nas mudanças climáticas.

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