Só com democracia construiremos um futuro sustentável

Só com democracia construiremos um futuro sustentável

Nosso tempo exige mudanças e isso não é questão de opinião

Equipe Instituto

05 de junho de 2020 | 16h41

Por Ricardo Young, empresário e presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade – IDS; João Paulo Capobianco, biólogo e vice-presidente do IDS e Carolina Mattar, internacionalista e coordenadora executiva do IDS.

 

Desde que o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) foi fundado há 10 anos, estamos trabalhando para contribuir com o esforço de inúmeros setores da sociedade que buscam conduzir o Brasil para um futuro sustentável, alinhado com as práticas mais avançadas da governança, da bioeconomia à gestão pública ética, e comprometido com os valores humanos de respeito à vida e à natureza. Se para alguns isso é um futuro utópico, a crise sem precedentes de âmbito global, provocada pelas desigualdades e pela constante destruição dos recursos naturais, não nos deixa outra opção que não persegui-lo. A natureza sofre uma escalada de destruição sem trégua.

Estamos agora, precisamente, diante de um desafio global que definirá, nos próximos 20 anos, a qualidade da nossa vida na Terra. Enquanto enfrentam a terrível pandemia provocada pelo corona vírus, garantindo assistência e ajuda financeira para a população e empresas, as principais economias globais e muitos países de todos os continentes já planejam os próximos anos e décadas, revisando suas matrizes energéticas e meios de produção, buscando alinhar suas metas e programas de recuperação econômica aos acordos globais da sustentabilidade e do clima. O Brasil, ao contrário, lida com a crise climática e a pandemia como se não houvesse amanhã.

Nosso país abriga parte significativa da biodiversidade e da água doce existentes no planeta. Temos o privilégio de possuir uma rica diversidade étnico‐cultural. Nosso clima e terras cultiváveis permitem até quatro colheitas anuais.  A variedade e grande dimensão de nossas formações naturais, tornam o Brasil fundamental para o equilíbrio climático continental e global.  Mas, temos sido incapazes de transformar esses trunfos em vantagens comparativas para o desenvolvimento do País. Seguimos na direção oposta, destruindo nosso patrimônio socioambiental, sabotando nossa economia e nossas perspectivas de futuro.

Esses recursos, hoje pouco valorizados e sistematicamente destruídos, serão cada vez mais fundamentais e nos farão falta muito em breve. Já fazem, na verdade, especialmente para a imensa parcela da população que não tem acesso à água limpa e ao tratamento adequado de esgoto. Com a Covid-19, os diagnósticos foram antecipados.

Agora, como superá-los enquanto as mortes pela pandemia batem recordes diários sem nenhuma coordenação nacional para o combate à disseminação do vírus e as medidas econômicas emergenciais não alcançam a população mais necessitada? Enquanto derrubam a Amazônia numa velocidade que não se via há décadas? Enquanto fake news desmoralizam adversários políticos e a imprensa? Enquanto o executivo ameaça a harmonia com os demais poderes e entes federados?

Enquanto os órgãos do Estado deveriam reagir à tamanha catástrofe social, as peças não se movem, porque a democracia, imprescindível para a sustentabilidade e bem-estar da população, está em xeque.

Estamos na metade do segundo ano de governo Bolsonaro sem nenhuma direção para resolver questões estruturais, nem plano para superar os desafios que a pandemia e suas consequências irão provocar nos indicadores de desenvolvimento sustentável do país, um grande mal para o povo brasileiro e os cidadãos do mundo.

Hoje 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o compromisso com a ciência, com a origem e a cultura brasileira, com uma visão estratégica de país, de futuro, nos impele a agir. É hora de dar um passo à frente. Vemos movimentos importantes da sociedade civil nesta direção, com lideranças de todos os campos democráticos convocadas diante da necessidade de oferecer condições de vida digna para a construção do novo normal. O futuro se faz agora. #Basta, #estamosjuntos!

 

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