Povo Kĩsêdjê, do Xingu, planta pequi em área degradada e entrega produção recorde
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Povo Kĩsêdjê, do Xingu, planta pequi em área degradada e entrega produção recorde

Maria Fernanda Ribeiro

11 de fevereiro de 2019 | 10h37

O povo Kĩsêdjê, do Xingu, alcançou produção recorde de produção de óleo de pequi em 2018, com a entrega de 315 litros do produto. Foi a primeira vez que eles ultrapassaram a marca dos 300 litros, em um trabalho que envolveu cinco aldeias da Terra Indígena Wawi, no estado do Mato Grosso.

A atividade de produção do óleo começou em 2006, com a plantação de 263 pés de pequis em uma área degradada de três hectares que antes da demarcação da terra pertencia a fazendeiros. A extração começou cinco anos depois em uma miniusina instalada em uma das aldeias. Atualmente são 3.000 pés plantados em 63 hectares. Em 2014, eles receberam financiamento do Fundo Amazônia/BNDES para a ampliação do pequizal.

O Óleo de Pequi do Povo Kĩsêdjê do Xingu, Hwin Mbê, produto com nome completo, é reconhecido nacionalmente com o Selo Origens Brasil, para produtos de áreas protegidas balizados por relações comerciais éticas, justas e transparentes.

Internacionalmente, o pequi do Xingu é reconhecido como Fortaleza Slow Food, projeto do movimento Slow Food que apoia e protege produtos da biodiversidade no mundo. O óleo de pequi foi apresentado em setembro de 2018 em Turim, na Itália, no evento Terra Madre do Slow Food Internacional.

“Nossa iniciativa foi a única solução [para obter renda] que achamos mais viável e que não agride ninguém, nem o meio ambiente”, disse Winti Kĩsêdjê, da Associação Indígena Kĩsêdjê (AIK).

A renda obtida com a produção, que deve girar em torno de R$ 30 mil, vai diretamente para a Associação Indígena Kĩsêdjê. A associação remunera os grupos de trabalho, guarda um valor para custear a próxima safra, e investe o excedente em demandas da comunidade. A expectativa das comunidades é crescer ainda mais, atingindo 400 a 600 litros em ano de boa colheita.

A produção de 2017 do Óleo de Pequi do Povo Kĩsêdjê do Xingu foi vendida à empresa de cosméticos New Harmony, ao Grupo Pão de Açúcar e ao restaurante Dalva & Dito, do chef Alex Atala, em São Paulo.

Para este ano, a novidade é a primeira exportação do óleo em parceria com a Soul Brasil para a Culinary Culture Connections, com sede nos EUA. Mas o óleo continuará a ser vendido nos supermercados Pão de Açúcar, no box Amazônia e Mata Atlântica do Mercado de Pinheiros, em São Paulo, e na loja online do ISA (Instituto Socioambiental).

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O Instituto Mamirauá está à procura de bolsistas para o estudo de práticas agrícolas na Amazônia. As bolsas têm duração de até cinco anos e são indicadas a pesquisadores com disponibilidade de trabalhar na Amazônia Central, nas reservas onde o instituto atua. São 19 vagas para pesquisadores, técnicos e especialistas. Entre as formações procuradas estão Biologia, Veterinária, Agronomia, Geografia, Arqueologia, Química, Engenharia (Florestal, Sanitária, Elétrica ou Ambiental), Botânica, Ecologia, Gestão de Políticas Públicas e Economia e outras áreas relacionadas a essas disciplinas. Os valores das bolsas variam de R$ 2.860 a R$ 5.200, durante o período de até cinco anos. Para mais informações e para se inscrever, clique aqui.

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Vou começar a divulgar em meus posts alguns sites e perfis de instituições, de organizações não-governamentais e de pessoas físicas para quem quer acompanhar as notícias da Amazônia e dos índios do Brasil.

A primeira dica é o site de onde eu, a propósito, retirei as informações desse post e de vários outros que publico e publicarei por aqui. É o ISA (Instituto Socioambiental), uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, fundada em 1994, para propor soluções de forma integrada a questões sociais e ambientais com foco central na defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos.

Aproveita o post para também curtir a página da Associação Indígena Kĩsêdjê: https://www.facebook.com/AIKisedje/

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