Festival Pachamama rompe fronteiras em prol da arte
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Festival Pachamama rompe fronteiras em prol da arte

Maria Fernanda Ribeiro

21 Novembro 2016 | 20h56

Pachamama 19.11.16_Foto Deyse Cruz (23)

Há quem diga que o Acre é longe. Mas claro que isso depende muito do ponto de vista de quem o diz. O Acre pode até ser distante de estados como São Paulo ou Rio de Janeiro, e ainda mais do Rio Grande do Sul, mas é perto, pertinho, logo ali, do Peru e da Bolívia. A distância está nos olhos de quem a habita.

 

Não à toa que está acontecendo em Rio Branco, a capital do estado, a sétima edição do Festival Internacional Pachamama – Cinema de Fronteira, com o objetivo de promover a integração cultural e amazônica entre os três países fronteiriços. Enquanto alguns pedem muros, o Acre rompe suas fronteiras em prol da arte.

 

Foto Ramon Aquim

São mais de 60 produções de 11 países latino-americanos, além de palestras, lançamentos de livros e rodas de conversa nos oito dias do evento, que começou no último sábado, dia 19 de novembro, e termina no dia 26. Para quem não conhece, Pachamama é considera uma divindade relacionada com a terra, a fertilidade, a mãe, o feminino. É a deidade máxima dos Andes, Bolivianos e Peruanos.

 

Eu só pude participar do primeiro final de semana do evento porque estou novamente seguindo viagem – dessa vez chego ao Amazonas – , mas ter conhecido a vida do Monteirinho, o sanfoneiro da floresta, por meio do curta-metragem do diretor Clemilson Farias, me deu uma saudade danada daquilo que ainda não vivi nessa minha jornada floresta adentro: participar de um forró em um seringal. Desde que o músico seja o Monteirinho, é claro. E olha que de forró nada sei. Mas de Monteirinho, que também nada sabia, agora já aprendi.

 

Ouvir o sanfoneiro da floresta tocar, como bem comentou uma amiga, te dá uma saudade sem tamanho da vida. A gente lembra do pai da gente, da mãe, do marido, do namorado e até daquele ex que não merecia nunca ser lembrado. Muito menos ao som de Monteirinho.

Festival Pachamama 20.11.16_Foto Ramon Aquim (8)

Mas a sanfona desse ex-seringueiro que lutou ao lado de Chico Mendes tem o poder de nos fazer perdoar qualquer desavença, desventura ou desamor. Você ouve o Monteirinho e acha até que o sofrimento vale à pena. Sem o sofrimento talvez nem houvesse música. Pior. Talvez nem Monteirinho houvesse.

 

Mas não foi só esse sanfoneiro arretado que me causou comoção. Teve também o espetáculo Silêncio Total – Vem chegando um palhaço, com o incrível ator Luiz Carlos Vasconcelos, o palhaço Xuxu, realizado às margens do rio Acre em pleno fim de tarde, reunindo crianças e adultos em risos proferidos em uma só sintonia.

 

Iniciativas como o Pachamama chegam para reforçar de que não precisamos de mais muros ou cercas. Não precisamos de mais segregação. Nós queremos mesmo é mais Monteirinhos. E mais palhaços. Que as fronteiras não nos impeçam de ultrapassá-las. Nunca.

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