Desmatamento na Bacia do Xingu aumenta 36%
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Desmatamento na Bacia do Xingu aumenta 36%

Maria Fernanda Ribeiro

24 Setembro 2018 | 18h13

Área sendo desmatada no interior da Terra Indígena Apyterewa|Kaworé Parakanã

A taxa de desmatamento no mês de agosto na Bacia do Xingu apresentou um aumento de 36,4% em relação ao mês de julho, com um registro total de 778 polígonos e uma área mapeada de 15.155 hectares. Os dados do Sistema de Indicação por Radar de Desmatamento na Bacia do Xingu (Sirad X), o sistema de monitoramento do Instituto Socioambiental (ISA), apontam ainda que a tendência de queda na taxa de desmatamento registrada no mês anterior se reverteu.

No Pará, houve um aumento vertiginoso de 800% de desmatamento entre julho e agosto no interior da Terra Indígena Apyterewa. No Mato Grosso, o destaque é o município de Canarana, onde em um mês foram derrubadas quase mil hectares da vegetação nativa. Altamira e São Félix do Xingu estão novamente no topo da lista de municípios com as maiores taxas de desmatamento. Juntos, somam 7,8 mil hectares de floresta derrubada, o que representa mais da metade de todo o desmatamento ocorrido no último período monitorado.

De acordo com o boletim, divulgado pelo ISA, esta retomada no avanço do desmatamento preocupa pelo seu crescimento em Áreas Protegidas do Pará, com registros de grandes polígonos nas Terras Indígenas Apyterewa e Ituna/Itatá, indicando um forte processo de invasão e grilagem de terras.

O desmatamento na Terras Indígenas Apyterewa e Ituna/Itatá alcançou 1,7 mil hectares somente no mês de agosto, um aumento de 800% em relação ao mês anterior. Localizadas na área de influência da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, um plano de proteção territorial deveria ter sido implementado em 2011, antes da instalação da usina.

A construção de bases de proteção e a retirada de ocupantes não indígenas das áreas, parte dessa condicionante, ainda não saíram do papel. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável pela fiscalização nas terras, não conta com efetivo suficiente na região para combater a grande quantidade de atividades ilícitas.

A TI Apyterewa, de posse ancestral do povo Parakanã, sofre fortes pressões vindas do eixo Tucumã-São Félix do Xingu. O processo de concentração fundiária característico do leste paraense desloca pequenos e médios produtores, expulsos pelo latifúndio, em direção a áreas cada vez mais remotas. Isso provoca a invasão desta e outras terras do entorno. No mês de agosto, 81 novas áreas foram invadidas, somando mais de 800 ha de floresta derrubada, quantidade de desmatamento superior à de todo o ano de 2017.

Mais de 800 hectares foram desmatados em agosto na TI Ituna/Itatá, morada de indígenas isolados|Juan Doblas-ISA

Índios isolados

A ação de grileiros e desmatadores voltou com força na Terra Indígena (TI) Ituna Itatá, morada de indígenas isolados. De 3 hectares detectados em maio, o número pulou para 880 hectares em agosto. Desde o início do ano, 1.863 hectares de floresta foram destruídos, com um total de 71 polígonos de desmatamento. A TI Ituna/Itatá localiza-se a menos de 70 quilômetros do sítio Pimental, principal canteiro de obras de Belo Monte, e a destruição das florestas vem aumentando exponencialmente desde 2011, início da construção da usina. A chegada do empreendimento e o brutal aquecimento do mercado de terras na região provocou uma corrida especulativa. O desmatamento constitui uma reafirmação do controle sobre determinadas áreas, e tende a crescer com a ausência de ações de fiscalização.

E edição completa do boletim está disponível em: https://goo.gl/rMTN3F 

 

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