A luta dos povos indígenas é de todos nós. Ou ao menos deveria ser
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A luta dos povos indígenas é de todos nós. Ou ao menos deveria ser

Maria Fernanda Ribeiro

04 de fevereiro de 2019 | 08h25

Priscila Tapajowara durante a concentração no vão do Masp

Os povos indígenas de todo o Brasil realizaram ao longo de todo o dia 31 de janeiro a primeira grande manifestação popular contra as políticas anti-indigenistas do governo Bolsonaro. A estimativa é de que ocorreram protestos em quase 60 pontos Brasil afora e adentro, mas se você não faz parte de uma rede, digamos, indígena, talvez não tenha lido notícias sobre isso. Na timeline das minhas redes sociais não havia outro assunto e as fotos publicadas pelos próprios indígenas (sim, caros leitores, índio usa celular e tem perfil no Facebook e publicam stories no Instagram) mostravam que a disposição para que seus direitos sejam garantidos é a ferramenta que usam para lutar.

Liderados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a campanha Sangue Indígena – Nenhuma Gota a Mais tem entre suas principais reivindicações o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Justiça. Palavras de ordem como Demarcação Já deram o tom do protesto, não só no Brasil como nos demais países onde as mobilizações aconteceram. “Deixar a demarcação de terras com o Ministério da Agricultura é o mesmo que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro”, diziam os manifestantes.

Acompanhei a manifestação em São Paulo, na avenida Paulista. Indígenas de várias partes do estado vieram em comitivas para se unirem à resistência. Diferentes etnias unidas em um só coro, mas cada qual com a sua dança, o seu canto, a sua pintura, o seu instrumento musical. Mulheres, homens, adolescentes, idosos, crianças e bebês de colo.

Resistir, está aí outro verbo entoado com convicção, seja pelos povos que vivem em contexto urbano ou por aqueles que estão pela floresta. Resistência que não é de hoje, é de séculos. O que muda é a cara do inimigo e sua capacidade de fogo. Não ao genocídio indígena eram as palavras de alguns dos cartazes em punho.

 

Pensei, enquanto caminhava pela manifestação, que engrossar o coro à causa dos povos indígenas não é uma tarefa apenas identitária, é um dever de todo e qualquer cidadão que também deseja ter o seu direito respeitado. Não cabe a nenhum de nós ditar regras de como cada ser deseja viver. Se você integra o time que acredita piamente que índio que é índio não mora na cidade, não usa celular e anda nu por aí, não deixe que o desconhecimento, a ignorância ou o preconceito limite seus pensamentos. Informe-se, leia, pergunte a um índio o que eles desejam.

O maior bem que há é a diversidade, a cultura, a arte de cada povo. E essa diversidade é o Brasil, de cabo a rabo. Só não enxerga quem se esconde na coxia e não sai para o espetáculo, seja por medo, preguiça ou desinteresse. Os índios sabem disso e todos nós só temos a ganhar com essa luta, que não é deles, mas de todos nós.

P.S: Se você não tem amigas ou amigos indígenas e também não acompanha nenhum perfil nas redes sociais, recomendo que faça isso. Saia um pouco da bolha e veja as maravilhas que a internet é capaz de fazer por você. Vai adentrar um mundo colorido com muita arte, protesto, amor, ancestralidade, sabedoria, histórias, mitos, contos e aprenderá muito sobre o significado que tem na prática o verbo resistir.

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