Marina Silva tinha se apequenado. Agora… Sumiu de vez
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Marina Silva tinha se apequenado. Agora… Sumiu de vez

Dener Giovanini

11 Outubro 2014 | 21h21

Com a arrogância e a prepotência que lhe é peculiar, a derrotada Marina Silva tentou enquadrar o candidato do PSDB para lhe dar apoio no segundo turno. Esqueceu Marina que, dessa vez, ela não estava lidando com nenhum sonhático. Aécio, que de bobo nada tem, percebeu de cara a armadilha de Marina e fez o que a ex-candidata do PSB nunca aprendeu: se posicionou firmemente e disse que não ia mudar seu programa de governo para atender às exigências da Srª Silva.

E Aécio nem poderia agir de outra forma. Afinal, quem perdeu nas urnas foi ela e o seu mal acabado e titubeante programa de governo. Marina age como o mendigo que pede para ver o cardápio e analisar se aceita ou não um pouco de comida.

O apoio de Marina Silva pouco importa, pois o que definitivamente ela não tem é consistência de votos. Aliás, nunca teve. A grande maioria dos 20% arrecadados nas urnas, no primeiro turno, não são de admiração à ela ou as suas propostas. São principalmente dos eleitores que odeiam o PT. E a prova cabal de que Marina não tem votos – e muito menos poder de transferi-los a alguém – está no fato de que Eduardo Campos nunca passou dos 10% de intenções na campanha eleitoral, mesmo tendo Marina como penduricalho em sua campanha. Aliás, ter Marina ao seu lado foi o pior erro de Campos, pois além de nada contribuir para o seu projeto, conseguiu inviabilizar sua candidatura em vários Estados, como em São Paulo, por exemplo.

Marina, para declarar o seu apoio à Aécio, apresentou uma lista de exigências que forçavam o candidato do PSDB a adotar um comportamento que é típico da fada madrinha dos sonháticos: a incoerência. Entre outras coisas, Marina exigiu que Aécio se comprometesse contra a redução da maioridade Penal, um projeto apresentado ao Congresso Nacional justamente pelo seu vice, o senador Aloísio Nunes. O candidato do PSDB devolveu-lhe um elegante não e consolidou sua coerência.

E ai está outra especialidade da candidata derrotada: espalhar sementes da discórdia para fazer crescer uma floresta de intrigas. De cara, já queria provocar atrito entre Aécio e o seu vice. No PSB ela conseguiu seu intento: bastou ser anunciada como candidata e quadros históricos do partido foram forçados a abandonar a agremiação partidária. Aqui lembro uma frase emblemática do ex-secretário geral do PSB, Carlos Siqueira, que na época, após ser tratado de forma grosseira e petulante por Marina Silva, saiu do PSB afirmando: “Se ela comete uma deselegância no dia em que está sendo anunciada candidata, imagine no resto. Com ela não quero conversa. Não estou e não estarei em hipótese alguma na campanha desta senhora”.

Ao contrário do próprio PSB e de outros partidos que deram sustentação à coligação montada por Eduardo Campos, Marina e seus seguidores – como sempre – quiseram valorizar os seus passes. Se mostrarem mais importantes do que são de fato. Perderam o bonde e o senso de oportunidade, pois vieram as primeiras pesquisas eleitorais e todos se certificaram que o apoio dos sonháticos e da sua líder tinha importância zero. Aécio definitivamente não precisa de Marina para absolutamente nada.

A candidata do PSB passou toda a campanha criticando a “tal polarização PT e PSDB”, afirmando que isso era a “tal velha política”. Pois bem, a polarização se impôs através da vontade popular e agora, Marina e seus discípulos fazem exigências para… Entrarem na polarização! Tão coerente quanto o discurso de certos pastores que apoiaram a candidata e que, entre uma ou outra pregação do amor de Jesus, afirmam que os africanos são um povo amaldiçoado, ou ainda babam na internet seus discursos pró violência contra gays.

Agora resta a trupe marineira duas opções: um envergonhado, insosso e inútil apoio a Aécio ou a neutralidade que ela tanto perseguiu, ao tentar disfarçar a sua má vontade com o candidato do PSDB, com exigências descabidas.

Independente de qual seja a posição a ser tomada pela ex-candidata, o fato é que será uma posição vazia, sem importância e descompassada. Marina Silva e sua teia, ou melhor, Rede (na verdade tanto faz, teia ou rede são armadilhas criadas para capturar peixes ou insetos distraídos), perderam não só as eleições. Perderam o rumo e uma importância que, de fato, só eles achavam que tinham.

Foto: Márcio Fernandes/Estadão

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