Marina Silva ajudou Dilma a se eleger em 2010, ao declarar-se “neutra” no segundo turno
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Marina Silva ajudou Dilma a se eleger em 2010, ao declarar-se “neutra” no segundo turno

Dener Giovanini

02 Outubro 2014 | 12h07

Gosto de muito de acompanhar as manifestações dos meus leitores nas redes sociais, pena não ter mais tempo para ler todas. Elas se multiplicam em comentários, compartilhamentos, tuítes e blogs. São milhares. Muitos detestam o que escrevo, outros elogiam e alguns desavisados desconhecem a existência do Código Penal. A grande maioria dos que me querem ver ardendo no caldeirão do inferno são eleitores de Marina. Em comum nessa massa marineira, está o fato de me taxarem de petista. Basta uma única crítica à candidata do PSB, para fazer aflorar o ódio no coração daqueles que enxergam, na estrela vermelha do Partido dos Trabalhadores, o símbolo supremo de Belzebu.

Bom, eu nunca fui petista. Marina Silva já.

E mais do que petista, Marina Silva ajudou Dilma Rousseff a se eleger presidente da República. Eu não.

Para quem tem memória bem curta – afinal não estamos falando de algo acontecido no século passado, e sim há apenas quatros anos – Marina Silva declarou-se “neutra” no 2º turno das últimas eleições presidenciais, lembram? Dilma disputava com José Serra, do PSDB, a preferência dos eleitores.

Encerrada a apuração do 1º turno, Marina Silva contabilizava 19.636.359 votos, ou 19,33% do eleitorado. Foram dias e dias de ansiedade no mundo político, aguardando o nome a quem Marina daria o seu apoio. Seus votos eram considerados decisivos naquela altura do jogo. A única e derradeira chance do PSDB derrotar o PT estava exatamente na posição tão esperada de Marina Silva e a possibilidade dela transferir seus votos para o candidato José Serra. Os dias foram passando e o silêncio de Marina se tornando cada vez mais incômodo. Até que veio a sua palavra final: “me declaro neutra, votem em quem quiserem”.

Dilma foi eleita no 2º turno com 56,05% dos votos. José Serra conquistou 43,95% dos eleitores. Uma diferença de 12,1%. Se Marina Silva – com seus 19,3% – tivesse apoiado o candidato do PSDB, era até provável que Dilma não se tornasse presidente. É apenas uma probabilidade, é claro. Mas é fato que a neutralidade de Marina encerrou de vez a chance de José Serra derrotar Dilma.

Portanto, se existe alguém que ajudou o PT a ficar mais quatro anos no poder não fui eu.

Como diz o ditado, quem cala consente. E Marina se calou em 2010. O seu discurso ao sair do PT foi pautado por críticas contundentes, que se transformaram em fumaça no momento que ela teve a oportunidade de ajudar a tirar o partido de Lula do poder. Coerente não?

Ainda no início da disputa de 2014, uma das primeiras exigências de Marina Silva ao então candidato do PSB, Eduardo Campos, foi a de não subir no palanque do PSDB, em especial o do candidato Geraldo Alckmin. Portanto, se o candidato Aécio Neves for ao segundo turno nessa eleição, é melhor não contar com o apoio de Marina Silva. Afinal, o PSDB que ela entendia não prestar em 2010 é o mesmo de agora.

E se for a própria Marina a disputar com Dilma um segundo turno? Bom, nesse caso, a “nova política” pregada pela candidata permite tudo, inclusive exigir dos tucanos o apoio que ela lhes negou há quatro anos.

Isso posto, declaro-me profundamente injustiçado pelos eleitores da candidata do PSB, que me acusam de ser petista e de querer reeleger a presidente Dilma. Eu jamais poderia fazer pela presidente Dilma o que a Marina Silva fez tão bem em 2010, lamento.

Foto: Antônio Cruz/Abr

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