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GATEIRAS E CACHORREIRAS – EITA LUTA! ( A continuação…)

Dener Giovanini

21 Janeiro 2012 | 00h57

Quando publiquei o artigo Gateiros e Cachorreiros – Eita Raça, foram muitas as manifestações dos leitores. Em quase sua totalidade, de pessoas que se identificam com essa causa e que, em maior ou menor grau, se envolvem diretamente nas ações de proteção aos animais domésticos. Naquele artigo eu afirmei que esse grupo de cidadãos tinha um poder enorme em suas mãos, apesar da grande maioria ainda desconhecer esse potencial de mobilização e de mudanças. Eu não estava errado. E digo isso sem a arrogância dos que querem bradar que são os donos da razão.

A minha certeza foi confirmada pelos recentes casos envolvendo maus-tratos a animais, que foram divulgados na imprensa e que ganharam enorme destaque nas mídias sociais. Se ocorrer qualquer punição – ainda que pequena – aos responsáveis por esses atos de barbaridade, ela será o resultado do esforço de milhares de gateiros e cachorreiros que se indignaram e se mobilizaram. Quem agiu nesses casos não foi a polícia, não foi a justiça e muito menos foi a lei. Quem agiu foi o cidadão comum, foram as donas de casa, foram os estudantes, os professores, enfim, foram todos aqueles que independente das suas profissões são, acima de tudo, pessoas com amor no coração e que aceitam o desafio de falar e de cobrar justiça em nome dos animais.  Os agentes públicos apenas responderam a um clamor que não podia ser ignorado. Eis ai o poder.

E o poder incomoda. Ainda mais se usado de forma inteligente, como nesse caso. Não foi necessário invadir fazendas, não foi preciso queimar pneus nas ruas e muito menos fazer piquete em porta de fábrica ou paralisar atividades essenciais com greves para que a imprensa fosse instigada a cobrir os casos e os agentes públicos forçados a se posicionarem com alguma atitude convincente.

Claro que, como diz o ditado, a inveja mata. E foi exatamente a inveja, aliada ao despeito, que motivou algumas pessoas a criticarem o movimento dos defensores de animais. Muitos cobraram a mesma atenção para as crianças abandonadas ou para velhinhos nos asilos. Essa cobrança só vem certificar o poder de mobilização dos gateiros e dos cachorreiros. As pessoas que criticaram, com certeza viram a força que eles têm e agora querem que eles resolvam os outros problemas do país. Por outro lado, as criticas também certificam a incapacidade de outros movimentos sociais de alcançarem êxito parecido. Os críticos perderam uma boa oportunidade de aprender como se faz. Vão continuar destilando o seu rancor no conforto da imobilidade.

Não restam dúvidas sobre o potencial de crescimento do movimento de defesa animal. Aliás, em breve teremos eleições para prefeitos e vereadores e penso que seria uma excelente oportunidade para que se façam cobranças e se consiga o comprometimento dos políticos para a causa.

Apesar de não ser um especialista no assunto e nem militar diretamente nessa área, gostaria de fazer uma sugestão aos gateiros e cachorreiros: unam-se em torno de uma proposta única. Uma proposta que possa trazer benefícios para todos os protetores. Abram mão das reivindicações individuais e lutem pelo coletivo. A dispersão é a principal inimiga desse movimento que tem tudo para ser um dos mais fortes desse país.

Ao refletir sobre isso, me veio a mente uma idéia que gostaria de compartilhar com os protetores: por que não lutar pela criação do SUS ANIMAL. Sim, SUS – Sistema Único de Saúde, público e gratuito, voltado a atender a todos os animais desse país. Penso que é uma idéia ousada, mas perfeitamente viável. Desconheço a existência de algo parecido no Brasil ou em qualquer outro país do mundo.

Imaginem o poder público disponibilizando hospitais veterinários para atender os animais domésticos, vítimas de acidentes, abandono ou violência? Um local onde o protetor poderia levar, durante 24 horas por dia, o seu animal para receber atendimento gratuito. E não estou falando de esmolas veterinárias e muito menos de um atendimento restrito, como no caso das castrações. Penso num Pronto Socorro nos mesmos moldes dos que atendem a população humana. Por que não?

Para as universidades seria uma excelente oportunidade para oferecer o estágio obrigatório e a prática veterinária para os seus alunos. Esses hospitais veterinários também poderiam atuar como centros de vacinação e oferecer ao poder público uma ótima oportunidade de controlar as diversas zoonoses que assolam o país. E tanto faz se esses hospitais veterinários públicos forem estaduais, municipais ou federais. O importante é que eles existam e estejam aptos a atender uma demanda crescente e desamparada.

Para um prefeito de um município de médio porte, a implantação de um hospital veterinário público não é uma tarefa difícil e, muito menos, requer grandes investimentos. Com boa vontade e planejamento sério é perfeitamente possível implantar pelo menos 01 unidade em cada um desses munícipios. Para o governo federal nem se fala. Custaria pouco e traria um retorno enorme em termos de saúde pública. Por falar em governo federal, alguém já teve a curiosidade de levantar quantas centenas de milhões de reais o governo paga aos laboratórios privados para a compra de vacinas veterinárias, como a anti-rábica? Será que esses laboratórios não poderiam dar algo em troca? Como por exemplo, ceder medicamentos para abastecer os essas unidades públicas de saúde animal.

Enfim, é apenas uma idéia. Com certeza existirão outras melhores que essa. Mas sonhar é o primeiro passo em direção a realidade. Nunca fui, não sou e nem serei candidato. Mas se fosse, eu juro que compraria essa idéia e lutaria por ela. Estaria eleito e reeleito. Pode ter certeza.

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