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Dener Giovanini

23 Abril 2013 | 17h02

Assassinatos no campo

Trinta e seis camponeses foram assassinados no Brasil e 77 ameaçados de morte em 2012, de acordo com o relatório divulgado ontem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os dados revelam um aumento de 24% no número de assassinatos em relação ao ano anterior. Para o coordenador nacional da CPT, Antonio Canuto, o aumento da violência no campo é resultado da impunidade e da falta de proteção policial dada às vitimas. Ele lembra o julgamento recente envolvendo a execução de um casal extrativista em Nova Ipixuna, no Pará. O mandante do crime, denunciado por compra ilegal de terras, foi inocentado. O casal já vinha denunciando aos órgãos de fiscalização ambiental o desmatamento desenfreado na Amazônia. Ainda segundo o relatório, houve um aumento dos conflitos envolvendo disputas por terra e água. Um total de 1.364 casos foram registrados somente no ano passado.

Para acessar o Relatório na íntegra,  CLIQUE AQUI

Gripe aviária

Vinte e um é o número de mortes confirmadas, até o momento, pelo vírus H7N9 na China. Trata-se de um novo tipo de vírus da gripe aviária que já infectou cerca de cem pessoas, a maioria dos casos tendo sido registrados no leste do país asiático. Apesar de haver poucos indícios de contágio inter-humanos, o principal temor das autoridades de saúde é que esta variante do vírus tenha sido transmitida desta forma. Segundo representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas metade dos infectados estiveram em contato com aves o que justificaria a hipótese. O primeiro caso de contágio pelo H7N9 aconteceu há menos de trinta dias na China. Especialistas seguem investigando a fonte de contaminação.

Dentro da lei

Produtores ilegais de carne bovina que desmatam a Amazônia para abrir pastos e exploram mão-de-obra escrava na região estão na mira do Ministério Público Federal (MPF). Vinte e seis Ações Civis Públicas contra empresas que se beneficiam da prática irregular foram encaminhadas ao Judiciário na semana passada. Se condenadas, elas estarão sujeitas ao pagamento de uma indenização pelos danos causados ao meio ambiente. O MPF diz que o objetivo das ações não é transformar a questão em mais um caso judicial, mas abrir caminho para possíveis acordos entre todos os envolvidos na cadeia produtiva da carne, como frigoríficos e supermercados, interessados na promoção de uma pecuária sustentável. A regularização da atividade traz benefícios para o próprio pecuarista, segundo o MPF, como legalização das terras e recebimento de incentivos fiscais.

Ararinha-azul repatriada

Duas ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) desembarcaram no Brasil no início do ano, vindas da Alemanha, onde eram mantidas em cativeiro. Considerada extinta na natureza há uma década, a ararinha-azul se tornou símbolo da preservação ambiental. Hoje, restam apenas oitenta exemplares da espécie no mundo inteiro, a maioria deles mantidos em viveiros na Espanha, Alemanha e Catar, na península arábica. A espécie, nativa da caatinga brasileira, era encontrada ao sul do Velho Chico, na Bahia, antes de ser capturada e vendida ilegalmente e ter o seu habitat destruído. A repatriação das aves faz parte do Plano de Ação Nacional de Conservação da Ararinha-Azul do Instituto Chico Mendes (ICMBio). O projeto busca reintroduzir as aves na natureza até 2021. Para isso prevê a reprodução dos animais em cativeiro e a recuperação de parte do habitat original perdido.

Ararinha azul (Foto:Werther Santana/AE)

Vinho e vida selvagem

Antes preocupados com os efeitos do aquecimento global sobre as plantações de uva, agora, a atenção dos cientistas se volta para o impacto que a mudança dos vinhedos para regiões de clima mais ameno pode vir a causar na vida selvagem. Isso porque o futuro de regiões tradicionais de cultivo, como a Califórnia nos EUA, a Toscana na Itália e a Borgonha na França, é bastante incerto devido às mudanças do clima. Rebeca Shaw, do Fundo para Defesa do Meio Ambiente (EDF, na sigla em inglês), faz um alerta aos problemas ambientais causados pela agricultura que invade regiões antes geladas e, por isso, intocadas, como as Montanhas Rochosas na fronteira entre EUA e Canadá e a ilha australiana da Tasmânia. Alterações do solo, comprometimento da água, deslocamento de animais e diminuição da biodiversidade são apenas alguns deles.