E eu não sei de nada?
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E eu não sei de nada?

Dener Giovanini

04 Setembro 2012 | 20h47

Com a frase acima, a presidente Dilma Rousseff encerrou um bilhete manuscrito, que tinha como destinatários as ministras do Meio Ambiente e das Relações Institucionais do governo federal, respectivamente, Isabella Teixeira e Ideli Salvatti. O que parece ser apenas uma bronca vai além e ilustra também o clima de apreensão que reina no Palácio do Planalto, quando o tema é a Medida Provisória (MP) 571/12, que trata do Código Florestal.

E a presidente tem toda a razão para se preocupar. A movimentação da bancada ruralista para restringir alguns efeitos da MP 571/12, tem sido intensa e articulada. As primeiras vitórias dos ruralistas foram conseguidas na última reunião da Comissão Mista da Câmara e do Senado, que avalia a MP enviada pelo governo ao Congresso Nacional. A principal delas foi a redução de 20 para 15 metros da área das margens dos rios que devem ser preservadas. Com essa medida, os ruralistas conseguiram beneficiar as médias e as grandes propriedades rurais do país, uma vez que a MP do governo previa um sistema de escalonamento para a proteção e recomposição dessas áreas.

As conquistas da bancada ruralista só foram possíveis por que foi realizado “um acordo” entre os integrantes da Comissão Mista. E é exatamente “esse acordo” que a presidente Dilma questiona em seu bilhete. Em nota oficial, o Partido Verde condenou as articulações dos ruralistas, que foram classificadas pela direção do partido como “uma afronta” e se retirou da votação. Cabe ressaltar que a bancada do agronegócio tem ampla maioria na comissão mista.

O texto aprovado na Comissão Mista será votado amanhã em plenário da Câmara Federal. Não custa lembrar que foi esse mesmo plenário o responsável pelas mudanças mais desastrosas já feitas no Código e, ao que tudo indica, a história irá se repetir nessa quarta-feira, salvo algum milagre de última hora.

Espera-se que a presidente melhore a comunicação com os seus ministros, para que não passe mais pelo constrangimento de saber pela imprensa o que anda acontecendo em seu governo. Se ela fosse mais firme e objetiva na defesa da Medida Provisória que assinou, com certeza não existiriam “fantasmas” negociando acordos em seu nome sem a sua devida autorização. Chega de bilhetinhos e de corpo mole.

Será que não sabe?

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