“TEATRINHO GOVERNAMENTAL”
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“TEATRINHO GOVERNAMENTAL”

Dener Giovanini

26 Janeiro 2012 | 23h12

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, João Pedro Stédile, afirmou que a RIO+20 – reunião da ONU que será realizada em junho, na cidade do Rio de Janeiro, para debater os rumos ambientais do planeta – será apenas um “teatrinho governamental”.  Stédile proferiu sua sentença na tarde de ontem, durante palestra no Fórum Social Temático (FST) que está sendo realizado no Rio Grande do Sul.

O pensamento de Stédile, infelizmente, ainda encontra respaldo em grande parte do atual pensamento ambiental brasileiro, particularmente entre as ONGs ambientais, que continuam enxergando a sua “causa” apenas como um espaço para o debate ideológico e o exercício da doutrina comunista dos anos sessenta. Para esse grupo, a RIO+20 será um teatro por que lá estarão os “opressores capitalistas”, que são financiados pelas grandes corporações financeiras.

Para os eco-comunas (o cacófago foi proposital) a sustentabilidade deve ser alcançada, sobretudo, pela quitação do passivo social através da utilização dos ativos ambientais. Eles subvertem a lógica para pregar o desequilíbrio. A harmonia da tríade social-ambiental-econômica se perde quando, por exemplo, o MST invade áreas de florestas nativas para “plantar” assentamentos predatórios e insustentáveis. O mesmo ocorre no momento em que são possuídos pelo espírito de Lenin e praguejam contra as obras que são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil. O ambientalismo vermelho dispensa relatórios técnicos e científicos. Para eles, o que importa são os velhos bordões da esquerda festiva, do tipo “o povo unido jamais será vencido”.

Foi exatamente a 20 anos atrás, durante a realização da ECO 92, que os movimentos social e ambiental começaram a se entender. Até então, um via o outro com desconfiança. Para os ambientalistas daquela época, os sindicatos queriam apenas mais empregos (a qualquer custo) e para os sindicalistas, os ambientalistas queriam apenas a preservação dos bosques (mesmo que isso resultasse em menos empregos). Após um período de tolerância e aproximação entre esses segmentos, deu-se o inevitável e o indesejado: o movimento ambientalista foi contaminado ideologicamente e tornou-se politicamente incorreto qualquer crítica que se faça aos “companheiros de luta”. Mesmo que muitos dos tais companheiros continuem enxergando as florestas como terra improdutiva. A cegueira ideológica que turva os olhos de alguns ambientalistas, não permite a eles ver a degradação ambiental produzida por alguns membros do próprio segmento social.

Se a RIO+20 não resultar em medidas efetivas para a conservação do meio ambiente será, principalmente, pela falta de compromisso dos atuais governantes com o futuro do planeta, independente da sua matiz ideológica. Não podemos desacreditar qualquer iniciativa antes mesmo dela acontecer. As críticas, mais do que bem vindas, são necessárias e ajudam a apurar os resultados, porém, melhor é aquela crítica que é feita por quem não costuma deixar o próprio rabo atravessado na estrada.

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