Sujou!

Sujou!

Novos números do SEEG mostram que a energia elétrica brasileira é cada vez menos "limpa", por causa das queima de combustíveis fósseis, que cresceu 171,2% no período 2011-2014

Caco de Paula

19 Novembro 2015 | 17h06

A boa notícia é que há muito espaço para melhorar. A má é que ainda é preciso melhorar muito. Dois números chamam atenção no recente relatório sobre as emissões de gases de efeito estufa no Brasil divulgado às vésperas da COP 21. A produção de energia limpa, renovável, cresceu 67,2% entre 2011 e 2014. Seria um bom número a comemorar se no mesmo período a produção de energia por uma das fontes mais sujas, óleo e carvão queimados em termoelétricas, não tivesse crescido inacreditáveis 171,2%.

A própria emissão de CO2 na produção de energia cresceu 171%, enquanto a energia gerada cresceu 11%. Ou seja, a matriz elétrica brasileira está ficando cada vez mais fóssil e suja. Sempre há quem lembre que isso ocorre por conta da crise hídrica e das secas. Ok. Mas não só Isso ocorre também porque até agora não se adotou uma política realmente transformadora para incentivar de verdade a produção de energia eólica e solar em grande escala. Assim, o país que já teve tantos motivos para se orgulhar de sua matriz hidroelétrica agora tem motivos de sobra para pensar mais seriamente em investir para valer no sol e no vento.

Os novos números são do Sistema de Estimativa de Emissões dos Gases de Efeito Estufa (SEEG), que o Observatório do Clima divulgou em 19 de novembro. Mais informações na cobertura do Estadão em  Emissões de CO2 no Brasil em 2014 se mantêm estáveis e, especificamente na produção de energia, em  Site monitora em tempo real emissões de CO2 no setor elétrico do Brasil

 

Até a decoração de Natal já é influenciada por métodos com menor impacto ambiental, como essas peças feitas com material reciclado, em Belém. Mas a eletricidade no Brasil, incluindo a iluminação em geral, tem impacto negativo cada vez maior, por conta das termoelétricas (Foto: Reuters)

Até a decoração de Natal já é influenciada por métodos com menor impacto ambiental, como essas peças feitas com material reciclado, em Belém. Mas a eletricidade no Brasil, incluindo até as inofensivas árvores natalinas, têm impacto   negativo cada vez maior, por conta da queima de carvão e óleo  nas termoelétricas (Foto: Reuters)