Enfim, o IPI verde

Rodrigo Martins

30 Outubro 2009 | 17h03

Demorou, mas saiu. O Ministério da Fazenda anunciou ontem que a prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar) vale por mais três meses, mas só para os equipamentos que atenderem às classes A e B de consumo de energia. Mais informações aqui.

A medida vale apenas por três meses (prorrogáveis?)e sem dúvida faz parte do esforço do governo para aquecer o consumo no final do ano. Mas é positivo o fato de que, finalmente, o governo passa a acenar com incentivos ao consumo mais ecologicamente correto.

Há quem diga que isso faz parte do “efeito Marina” – a candidatura à presidência da ex-ministra do meio ambiente já estaria levando o atual governo a levantar bandeiras ‘verdes’. A própria senadora avaliou como positiva a medida, desde que não ela não passe de uma atitude pontual e que os incentivos aos produtos mais sustentáveis sejam incorporados a uma reforma tributária mais ampla.

Segundo o Inmetro, hoje 76% das geladeiras, 60% dos fogões e 50% das lavadoras estão dentro das classes A e B, mais econômicas, de consumo. A redução do IPI deve provocar uma corrida tecnológica dos fabricantes, para se adequarem aos padrões mais elevados de eficiência energética.

Com viés eleitoreiro ou não, o ministro Mantega já avisou que vem mais por aí. “Não se espantem se, no futuro, adotarmos outras medidas tributárias, não no IPI, mas vinculadas a compromissos ambientais”, disse o ministro. O tema é oportuno, pois de fato são necessários incentivos e informações para que os consumidores possam fazer escolhas mais alinhadas com a sustentabilidade.

Nossa matéria de capa do caderno mensal Vida & Sustentabilidade, que circula hoje no Estadão e no Jornal da Tarde, mostra que o brasileiro tem elevada consciência ambiental, mas isso ainda não muda seus hábitos de consumo.

Outra matéria do nosso suplemento, uma entrevista com o veterano ambientalista Lester Brown, mostra sintonia entre a redução do IPI e uma tendência que deve tomar força após a Cúpula do Clima, em Copenhague: a de reestruturas o sistema tributário dos Países, de modo que o mercado ‘precifique’ os custos da poluição e das mudanças climáticas.

Estamos avançando.

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