Em tempo: redução da poluição rende R$ 38 milhões a São Paulo

Rodrigo Martins

26 Setembro 2008 | 18h08

A Mercuria Energy Trading, empresa suíça de energia com sede em
Genebra, arrematou os créditos de carbono colocados à venda no segundo
leilão realizado ontem, em São Paulo, na BM&F Bovespa. Foram ofertados
713 mil títulos, que correspondem às emissões de poluentes que deixaram
de ser lançadas na atmosfera pelos aterros sanitários Bandeirantes e
São João, em São Paulo.

A companhia suíça pagou 19,20 euros por tonelada de carbono. Os 713 mil títulos negociados são referentes aos gases do lixo em decomposição nos aterros sanitários Bandeirantes e São João, ambos em São Paulo. Esses gases, sendo o principal deles o metano – um dos principais causadores do efeito estufa – são canalizados e geram eletricidade nas usinas termelétricas instalados nos dois aterros.

Com a venda, a Prefeitura de São Paulo embolsará 13,689 milhões de euros,
aproximadamente de R$ 37 milhões de reais. Dez instituições, entre
bancos e empresas de energia, participaram do leilão. Segundo o
secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo, Walter Aluisio
Morais Rodrigues, o preço alcançou as expectativas, uma vez que havia o
temor de que a atual crise no mercado financeiro influenciasse o
interesse dos investidores. “De fato, houve uma mudança no perfil dos
compradores. Este ano participaram mais empresas de energia do que
grupos financeiros”, disse o secretário.

De acordo com o prefeito Gilberto Kassab – que aproveitou o leilão
para fazer campanha eleitoral – os recursos serão investidos em
melhorias ambientais e de saneamento nos bairros de Perus e São Mateus,
vizinhos aos dois aterros. “Mas só serão aplicados pela próxima
adminstração”, avisou.


Gás do aterro Bandeirantes é canalizado. Foto de Vidal Cavalcante/AE