E o 'Nobel' do meio ambiente vai para… José Goldemberg

Rodrigo Martins

20 Setembro 2008 | 21h29

Goldemberg, em foto de Tiago Queirós/AE

Físico nuclear de formação, José Goldemberg foi reunindo credenciais ambientais ao longo de sua trajetória – bastante notável, por sinal. Agora, ele foi agraciado com o Blue Planet Prize – Prêmio Planeta Azul – uma espécie de ‘Nobel’ do meio ambiente, concedido pela fundação japonesa Asahi Glass a cidadãos que se destacam em pesquisas e políticas públicas na área de sustentabilidade. É a primeira vez que um pesquisador da América Latina ganha o prêmio.

Árvores e cobras
Tenho o privilégio de ter Goldemberg como fonte há vários anos. E ele tem o dom de ser simples em suas explicações e incisivo nas opiniões. Recentemente, ao responder uma pergunta sobre o que achava do etanol de celulose, disparou: “No laboratório dá certo. Mas vai misturar árvore com cobra para produzir etanol em escala industrial para ver o acontece.”

Quando o governo Lula anunciou a retomada do programa nuclear brasileiro, no ano passado, sua posição foi bastante crítica. “Energia nuclear é opção de desespero. E olha que eu sou do ramo…”

Goldemberg foi secretário de Ciência e Tecnologia, ministro da Educação, secretário nacional e estadual de Meio Ambiente, e um dos articuladores da Eco-92. Também foi reitor da USP e hoje é professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da mesma instituição.

Ao longo de sua carreira como físico nuclear, desenvolveu o conceito conhecido como ‘technological leapfrogging’, segundo o qual os países em desenvolvimento poderiam dar um salto de tecnologia com o uso de energias limpas em vez de depender do modelo energético de países ricos, baseado no petróleo e carvão. A discussão em torno do etanol está aí para provar o quanto ele estava correto.

Segundo a fundação Asahi Glass, Goldemberg ajudou a quebrar o paradigma de que energia era algo diretamente ligado ao Produto Interno Bruto dos países e que, por isso, quanto mais fosse usada, melhor.

E eu aproveito esse espaço para deixar minhas congratulações ao professor, um dos maiores especialistas em energia do mundo.