Caso diesel: e os gigantes seguem ilegais

Rodrigo Martins

04 Setembro 2008 | 19h36

As rodadas de negociações entre o Ministério do Meio Ambiente, a Petrobrás e a Anfavea (que representa das montadoras de veículos) para redução do enxofre do diesel, nas últimas semanas culminaram na legitimação da ilegalidade.

O ministro Carlos Minc acabou cedendo às pressões do setor e concordou em estender para 2012 o prazo para a redução da quantidade de enxofre no diesel da frota brasileira.

Assim, o governo reconheceu, na prática, que as entidades seguirão desrespeitando a resolução 315/02 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que previa a redução, para início de 2009, de 2 mil partes de enxofre por milhão (no interior) e 500 ppm (nas metrópoles) para 50 ppm de enxofre no diesel da frota brasileira de veículos pesados. Vale lembrar que o diesel brasileiro só não é pior que o combustível produzido na Venezuela, um veneno com 4 mil ppm.

Minc vem declarando há algumas semanas que o descumprimento da lei não vai passar batido – e que o governo vai obrigar tanto a Petrobrás quanto as montadoras a antecipar as etapas seguintes de redução de poluentes. Hoje, o ministro estabeleceu que, a partir de 1° de janeiro de 2012, 100% dos veículos a diesel deverão rodar com diesel de 10 ppm de enxofre, o mesmo combustível que a Europa adotará em 2009.

Ficam as perguntas: será que até 2012 as montadoras estarão produzindo motores de padrão europeu para o mercado interno? E a Petrobrás terá o diesel com 10 ppm pronto para ser colocado nas bombas? Ou vão empurrar com a barriga e continuar descumprindo solenemente a legislação?