Brasil terá 'superávit' ambiental em 2050

Rodrigo Martins

26 Setembro 2008 | 19h23


Amazônia em foto de José Patrício/AE

O Brasil e a Rússia devem ser os únicos grandes países do mundo a atingir 2050 com um balanço positivo entre crescimento da economia e conservação dos recursos naturais. No caso brasileiro, a matriz energética mais limpa e as florestas dão ao País mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios nesse campo. É o que mostra estudo da USP, que calculou o balanço dos países em relação às mudanças climáticas.

Com base na metodologia contábil empresarial, a pesquisa avaliou o estoque de recursos naturais e o saldo entre as emissões e capturas de gases causadores de efeito estufa em sete países – Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão – até 2050.

“No cenário previsto para 2050, o Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões, patrimônio suficiente para continuar crescendo e ainda contribuir positivamente para a Terra com cotas excedentes de carbono, provenientes de energia limpa e recursos florestais” diz José Roberto Kassai, professor de contabilidade da faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) e um dos responsáveis pelo estudo, que envolveu seis pesquisadores da universidade, de áreas tão diversas como contabilidade e biologia.

O mundo em déficit

O mundo, segundo o estudo, terá um déficit econômico-ambiental estimado em US$ 15,3 trilhões, ou 23,7% do PIB mundial. “Só Brasil e Rússia terão condições de continuar crescendo sem maiores pressões sobre o meio ambiente”, avalia. O estudo completo será divulgado em um seminário no dia 13 de outubro, na Câmara Americana do Comércio (Amcham), em São Paulo.

Para Kassai, o balanço positivo para o País pode se traduzir em oportunidades de negócios. “Se o Brasil souber aproveitar esse trunfo, poderá receber volumosos investimentos estrangeiros, tanto para projetos de geração de créditos de carbono quanto em compensações financeiras para manter as florestas intactas.”

Ou seja: o Brasil tem vantagens claras quanto à possibilidade de conciliar a manutenção do tão sonhado crescimento econômico e ainda ser um exemplo de preservação ambiental para o mundo. Mas precisa se esforçar para isso: criar alternativas para que a floresta valha mais em pé do que derrubada e manter sua vocação para as fontes de energia mais limpas – apesar da sedução fácil do petróleo do pré-sal…

O estudo

A amostra considerada pelos professores da USP incluiu sete países de grande relevância no mundo moderno, que representam 68% do PIB e 50% da população do mundo. A metodologia também foi inovadora: usando a equação básica da contabilidade empresarial (ativo – passivo = patrimônio líquido), os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país. Ou seja, qual o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais.No cálculo entraram variáveis como o PIB, o consumo médio de energia da população per capita de cada país, suas reservas florestais e matriz energética.

Resultados: Brasil e Rússia terão patrimônio líquido ambiental com superávit em 2050. O Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões e a Rússia, de US$ 156 bilhões.

Países como os EUA e China serão os maiores deficitários ambientais, com US$ 2,72 trilhões e US$ 3,26 trilhões, respectivamente.