Uma ideia do que o aquecimento global nos reserva

Uma ideia do que o aquecimento global nos reserva

Giovana Girardi

31 Janeiro 2014 | 19h21

Temperatura registrada à tarde na Av. Paulista. Crédito: Epitácio Pessoa / Estadão

Já sei, de entrevistas com muitos climatologistas, que um evento isolado climático não nos diz nada sobre as mudanças provocadas pelo aquecimento global e que só a análise de séries históricas nos mostra o tamanho do problema. Mas o calorão que passamos na capital paulista neste mês dá uma ideia muito clara do que vem pela frente.

Estamos falando de um mês que teve média de temperatura de 31,9 °C. Foi a temperatura mais alta desde que começaram a ser feitos os registros, em 1943. Esse valor é cerca de 4 graus maior do que a média histórica para o primeiro mês do ano – de 27,6°C –, de acordo com o Inmet.

É mais ou menos essa elevação que vários estudos climáticos estimam que poderemos sentir no Brasil até o final do século. Só que não apenas em ocasiões extremas e aleatórias. O tempo todo. E na média. O que significa que vários dias podem ser bem mais quentes.

A bagunça climática, na verdade, vai ser muito mais complexa que isso, com alternância de extremos, do muito frio ao muito quente; do muito chuvoso ao muito seco. Mas essa comparação, mesmo que super simplista, já ajuda a ter uma ideia do que é se sentir não só incomodado, mas afetado severamente pelo clima o tempo todo.

O meteorologista Franco Vilela, do Inmet, explica que “é impossível estabelecer relação direta de um evento único com uma escala de tempo, mas também é impossível descartar essa possibilidade (de o mês super quente ser obra das mudanças climáticas)”.

Ele destaca também o impacto da urbanização das cidades, que potencializam o calor. “Não dá para distinguir os fatores locais dos globais, qual parte do aquecimento cabe a cada uma das mudanças, mas de fato temos visto uma tendência de aumento da temperatura, não tanto de máximas, como foi desta vez, mas de mínimas. Já não faz mais tanto frio quanto fazia nas madrugadas”, lembra.

Dos onze meses mais quentes em São Paulo desde o início das medições, oito ocorreram a partir de 1998.

Veja abaixo:

1º – jan/2014 – 31,9°C
2º – fev/1984 – 31,8°C
3º – fev/2003 – 31,6°C
4º – jan/1956 – 30,9°C
5º – fev/1999 – 30,9°C
6º – fev/2010 – 30,9°C
7º – jan/1998 – 30,8°C
8º – jan/1999 – 30,8°C
9º – fev/1977 – 30,7°C
10º – mar/2007 – 30,7°C
11º – fev/2012 – 30,7°C

Vale lembrar que a década de 2001 a 2010 foi, em termos planetários, a mais quente da história, de acordo com a Organização Mundial Meteorológica (WMO, na sigla em inglês).