Taxa oficial de desmatamento da Amazônia no ano será divulgada na segunda

Taxa oficial de desmatamento da Amazônia no ano será divulgada na segunda

Governo vai anunciar os esperados dados do Prodes; com base nos alertas do Deter, outro sistema do Inpe, há uma expectativa de que os valores do desmatamento podem ficar em torno de 10 mil km², o que seria mais alto desde 2008

Giovana Girardi

14 de novembro de 2019 | 18h34

Os dados do Prodes, o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fornece a taxa oficial de desmatamento da Amazônia, serão divulgados nesta segunda-feira, 18. A informação foi antecipada pela coluna da Sonia Racy e confirmada ao blog pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O número vai mostrar quanto foi perdido de floresta entre 1º de agosto de 2018 e 31 julho deste. O anúncio será feito na sede do Inpe, em São José dos Campos.

Alertas indicam que pode ter ocorrido um aumento da perda da floresta no último ano. Crédito: Lourival Sant’Anna/ESTADÃO

Há uma grande expectativa em torno desses números depois que o Deter, outro sistema do Inpe de análise de imagens de satélite e que fornece dados em tempo real a fim de orientar a fiscalização, indicou para uma alta de quase 50% no desmatamento no período, na comparação com os 12 meses anteriores. Os alertas do Deter mostram uma perda de 6.840 km² de floresta neste intervalo, ante 4.571 km² entre agosto de 2017 e julho de 2018.

O Deter, por ser um sistema mais rápido, justamente para ajudar os fiscais do Ibama a tentarem conter um desmate em curso, é mais míope. Só enxerga grandes polígonos e tem algumas limitações. Mas a tendência que ele aponta em geral é confirmada pelo Prodes. Entre os dois sistemas  há correlação em torno de 82%.

Por causa disso, o Deter mostra um valor menor do que de fato o Prodes vai constatar. Entre agosto de 2017 e julho do ano passado, por exemplo, o Prodes mediu 7.536 km² de desmatamento – o Deter tinha visto um corte raso de 4.572 km². Nunca ocorreu de o Deter mostrar algo maior do que o Prodes constatou de fato depois.

Com base nessa comparação, há uma expectativa de que o Prodes deste ano possa ficar em torno de 10 mil km². Se isso se confirmar, será a primeira vez desde 2018 que a taxa vai passar dos dois dígitos.

Os dados do Deter foram o pivô da demissão do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão. O cientista foi criticado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro em julho, quando os números que indicavam uma grande alta no desmatamento começaram a chamar a atenção da imprensa. Bolsonaro disse que os dados eram mentirosos e insinuou que Galvão estaria “a serviço de alguma ONG“.

Em entrevista ao Estado, Galvão reagiu, afirmou que a atitude do presidente era “pusilânime e covarde” e disse que os dados do Inpe são transparentes, confiáveis e confirmados por outras instituições em todo o mundo.

Os alertas do Deter vêm indicando desde maio para a alta no desmatamento da Amazônio. Outubro teve a sétima alta consecutiva. Ainda enquanto estava na direção do Inpe, Galvão explicou ao Estado: “Não significa que os 40% de alta vistos pelos alertas vão depois significar uma alta de 40% no Prodes. Os sistemas são diferentes. É como se um olhasse com uma câmera mais aberta e o outro focasse mais. Mas há correlação em torno de 82%. Vai ter alta neste ano com o Prodes, não tenho a menor dúvida”.

Ocorre que justamente por ser mais ágil, o sistema têm algumas limitações. A resolução de suas imagens é de 64 metros, ante 30 metros do Prodes. E o satélite leva 5 dias para fazer imagens de um mesmo local, ante 16 dias no caso do Prodes.

Se por acaso uma dada região estiver com muitas nuvens ao longo desses cinco dias, o Deter pode não ver algo naquele local em um determinado mês. E ver no mês seguinte. Por isso a comparação mês a mês costuma não ser recomendada.

Apesar das explicações e do respaldo da comunidade científica, o desgaste levou à exoneração de Galvão em agosto.

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