Pesquisador faz registro inédito em vídeo de onças-pintadas na Serra do Mar do Paraná

Pesquisador faz registro inédito em vídeo de onças-pintadas na Serra do Mar do Paraná

É a primeira vez que se faz um registro como esse no maciço remanescente da Serra do Mar no Estado e a primeira vez, em 20 anos, que se tem notícias de onças passando por ali

Giovana Girardi

16 Agosto 2018 | 14h39

Casal foi flagrado por armadilha fotográfica. Crédito: Reprodução

Um casal de onças-pintadas foi flagrado em julho, por uma armadilha fotográfica, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, no Paraná. É a primeira vez que se faz um registro como esse no maciço remanescente da Serra do Mar no Estado e a primeira vez, em 20 anos, que se tem notícias de onças passando por ali. Da última, no entanto, vez havia somente vestígios do animal, como pegadas e fezes.

“É uma imagem super importante porque expande a área de ocupação atual do animal na Serra do Mar para o Paraná. A gente achava que as onças desciam pelo maciço somente até o sul de São Paulo e que não havia mais onças por aqui”, explica o pesquisador Roberto Fusco Costa, pós-doutorando em ecologia e conservação na Universidade Federal do Paraná e pesquisador do Instituto de Pesquisas Cananeia.

A observação foi feita por uma câmera de um projeto de conservação de grandes mamíferos, apoiado por Fundação Boticário e ABN Amro, que há dois anos e meio monitora espécies naquela região.

“É provavelmente uma população em baixíssima densidade, mas a boa notícia é que ainda tem onça ali. Pelo comportamento na imagem parece um casal, então temos a expectativa de ter mais indivíduos, talvez filhotes”, afirma Costa, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Isso coloca a Serra do Mar do Paraná, um dos remanescentes de Mata Atlântica mais preservados do Brasil, como área fundamental para a conservação de populações de onça-pintada.

Ele conta que já havia desde 2014 relatos de moradores da região sobre a presença de onças. Foi um deles que indicou qual era o melhor local para a instalação da armadilha fotográfica, um iusponto de difícil acesso. O pesquisador evita falar, porém, qual é o ponto exato onde os animais foram avistados por medo de incentivar a caça.

“Essa ainda é a principal ameaça para a espécie na região. A caça ocorre dentro fora quanto dentro de unidades de conservação e atinge as potenciais presas da onça, como porco-do-mato, veado, tatu. O registro ressalta a importância do fortalecimento da APA e também da polícia ambiental.”