Mudanças climáticas aceleram e concentração de CO₂ na atmosfera bate recorde, alerta OMM

Mudanças climáticas aceleram e concentração de CO₂ na atmosfera bate recorde, alerta OMM

Situação do clima do planeta entre 2015 e 2019 ficou pior do que nos cinco anos anteriores, mostrando que o aquecimento global está ficando mais intenso, aponta Organização Meteorológica Mundial na véspera da Cúpula do Clima da ONU

Giovana Girardi

22 de setembro de 2019 | 11h46

NOVA YORK – Na véspera da Cúpula do Clima da ONU, convocada pelo secretário-geral da organização, António Guterrres, para esta segunda-feira, 23, para clamar aos líderes mundiais para aumentarem sua ambição no combate ao aquecimento global, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) traz um alerta: a mudança do clima está se acelerando e a concentração recorde de gases de efeito estufa na atmosfera mostra que o planeta vai aquecer ainda mais.

Relatório lançado pela OMM neste domingo faz uma análise da situação climática global no período entre 2015 e 2019, que deve fechar como o período de cinco anos mais quente do registro histórico da OMM. A temperatura global já subiu 1,1ºC desde o período pré-industrial, mas considerando somente esse cinco anos (dados até julho deste ano), o aumento foi de 0,2ºC em relação ao intervalo entre 2011 e 2015.

Na sexta-feira, milhares de manifestantes tomaram as ruas em todo o mundo pedindo por ações urgentes contra as mudanças do clima. Na foto, protesto em Nova York. Crédito: Giovana Girardi / Estadão

A taxa de crescimento da concentração de gás carbônico (CO₂) na atmosfera é cerca de 20% mais alta que nos cinco anos anteriores, devendo chegar a cerca de 410 ppm (partes por milhão) até o final do ano, de acordo com dados preliminares.

“As causas e os impactos das mudanças climáticas estão aumentando em vez de diminuir”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, co-presidente do Grupo Consultivo de Ciência da Cúpula do Clima da ONU, em comunicado à imprensa.

“O aumento do nível do mar acelerou e estamos preocupados com o declínio abrupto das camadas de gelo da Antártida e da Groenlândia, o que agravará a elevação futura do níve do mar. Como vimos este ano com efeitos trágicos nas Bahamas e em Moçambique, o aumento do nível do mar e intensas tempestades tropicais levaram a catástrofes humanitárias e econômicas ”, afirmou.

De acordo com o relatório, de maio de 2014 a julho de 2019, a taxa de aumento médio global do nível do mar foi de 5 mm por ano, em comparação com 4 mm por ano no período de dez anos de 2007-2016. Isso é substancialmente mais rápido que a taxa média desde 1993, que foi de 3,2 mm/ano.

O estudo mostra que mais de 90% dos desastres naturais que ocorreram nos últimos anos estiveram relacionados ao clima, como tempestades e inundações, que também levaram a maiores perdas econômicas. Ondas de calor e secas levaram a perdas humanas, intensificação de incêndios florestais e perda de colheita.

Segundo a OMM, ondas de calor foram o risco meteorológico mais mortal no período de 2015 a 2019, afetando todos os continentes e resultando em vários novos registros de temperatura. Quase todos os estudos sobre as ondas de calor significativas que ocorreram desde 2015 encontraram a marca da mudança climática.

As maiores perdas econômicas foram associadas aos ciclones tropicais. A temporada de furacões no Atlântico de 2017 foi uma das mais devastadoras já registradas, com mais de US$ 125 bilhões em perdas associadas apenas ao furacão Harvey. No Oceano Índico, em março e abril de 2019, ciclones tropicais consecutivos sem precedentes e devastadores atingiram Moçambique.

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