Mais 31 países ratificam o Acordo de Paris; entrada em vigor está próxima

Mais 31 países ratificam o Acordo de Paris; entrada em vigor está próxima

Agora chegou a 60 o total de países que aderiram ao acordo que visa à redução de emissões de gases de efeito estufa a fim de conter o aquecimento global

Giovana Girardi

21 Setembro 2016 | 12h27

Mais 31 países ratificaram nesta quarta-feira (22) o Acordo de Paris – que prevê o combate às mudanças climáticas –, e a expectativa é que ele entre em vigor até o final do ano. A adesão ocorreu em cerimônia especial convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Ban Ki-moon, com a ministra do Meio Ambiente da França, Segolene Royal (centro), e a secretaria executiva da Convenção do Clima, Patricia Espinosa. Crédito: Carlo Allegri / Reuters

Ban Ki-moon, com a ministra do Meio Ambiente da França, Segolene Royal (centro), e a secretaria executiva da Convenção do Clima, Patricia Espinosa. Crédito: Carlo Allegri / Reuters

Com isso, chegou a 60 o total de países comprometidos com o acordo. No meio da nova leva está o Brasil, que tinha anunciado a ratificação na semana passada, mas que só fez o “depósito” do termo junto à Convenção do Clima da ONU hoje. Juntos, os 60 países representam 47,76% das emissões globais de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Para ter força de lei, é necessária a participação de pelo menos 55 países , representando 55% das emissões.

A primeira parte da regra já foi alcançada. Agora com a entrada de alguns poucos países já será possível fechar a segunda parte. Durante a cerimônia, mais 14 nações, responsáveis por 12,58% das emissões do planeta, também informaram que vão se juntar ao esforço global, dependendo apenas de finalizar seus processos internos de aprovação. Isso confirmado, o acordo entra em vigor até o final do ano. A expectativa é que isso possa ser anunciado durante a próxima Conferência do Clima, que será realizada em Marrakesh (Marrocos) entre 7 e 18 de novembro.

“Este momento é memorável. Às vezes leva anos ou mesmo décadas para um tratado entrar em vigor. Passaram apenas nove meses desde a conferência do clima em Paris. Esta é uma prova da urgência da crise que todos enfrentamos”, disse Ban Ki-moon.

Na prática isso significa que o mundo vai começar a fazer seus planos para implementar ações que possam reduzir as emissões de gases de efeito estufa a fim de limitar o aumento da temperatura média do planeta a menos de 2°C até o final do século, com esforços para ficar em no máximo 1,5°C, conforme acordado em dezembro do ano passado na Conferência do Clima da ONU, em Paris.

Em contribuição ao acordo, cada país apresentou suas metas internas, as chamadas INDCs, que apresentam com quanto cada um pode colaborar em termos de redução das emissões. A conta, por enquanto, porém, não fecha com a meta final. Somados todos esses esforços, o mundo ainda segue num rumo de aquecer em torno de 3°C até 2100. E enquanto isso o planeta continua aquecendo. A expectativa é que 2016 bata pelo terceiro ano seguido o recorde de ano mais quente.

A rápida entrada do acordo em vigor é desejada porque dá mais tempo para que os países possam começar a se planejar para implementar seus planos de ação e também para tornar mais ambiciosas suas próprias metas a fim de conseguir conter o aquecimento.

“É um um sinal claro da determinação dos países em implementar Paris agora e aumentar a ambição ao longo das décadas para vir”, afirmou Patricia Espinosa, secretária executiva da Convenção do Clima da ONU.

Ela lembrou que ainda muitos aspectos precisam progredir. “Desde o desenvolvimento de um livro de regras para operacionalizar o acordo, até a construção de confiança entre os países em desenvolvimento de que os US$ 100 bilhões prometidos a eles pelos países desenvolvidos estão verdadeiramente em construção”, complementou Patricia.

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