Ex-ministros do Meio Ambiente fazem apelo para que Brasil reconsidere realizar Cúpula do Clima

Ex-ministros do Meio Ambiente fazem apelo para que Brasil reconsidere realizar Cúpula do Clima

Sarney Filho e Edson Duarte argumentam que País teria chance de superar desacertos na área de meio ambiente que "marcaram início da gestão"; Chile desistiu do evento por causa da onda de protestos

Giovana Girardi

31 de outubro de 2019 | 06h00

Depois que o governo chileno resolveu nesta quarta-feira, 30, cancelar a realização da Conferência do Clima da ONU no país por causa da onda de protestos que ocorre há quase duas semanas, os ex-ministros do Meio Ambiente da administração Michel TemerJosé Sarney Filho e Edson Duarte – resolveram fazer um apelo para que o Brasil reconsidere voltar a se oferecer para sediar o evento.

O Chile só assumiu a realização da COP-25 depois que o Brasil voltou atrás na sua oferta de receber a conferência no final do ano passado. Sarney Filho tinha oferecido a candidatura no final de 2017, na cúpula de Bonn. Depois que ele deixou o cargo para concorrer ao Senado, Duarte continuou o esforço e chegou a conseguir a garantia de uma verba no orçamento deste ano para a realização do evento. O Brasil foi aceito, mas tão logo Jair Bolsonaro foi eleito, porém, Temer retirou a oferta.

Ministro Sarney Filho durante discurso para o segmento de alto nível da COP-23, em Bonn

O governo alegou como motivo “dificuldades orçamentárias” e o processo de transição presidencial. Bolsonaro chegou a dizer que não era uma decisão sua, mas depois defendeu que o Brasil de fato não sediasse a conferência. “Abrimos mão de sediar a Conferência Climática Mundial da ONU, pois custaria mais de R$ 500 milhões ao Brasil”, escreveu em seu Twitter em dezembro.

Ainda candidato, Bolsonaro em vários momentos disse que pretendia tirar o País do Acordo de Paris, que estabeleceu esforços do mundo inteiro para conter o aquecimento do planeta a menos de 2ºC até o final do século. E seu governo já fez várias declarações indicando que não acredita no papel humano nas mudanças climáticas. O principal expoente disso é o ministro das Relações Internacionais, Ernesto Araújo.

No final de agosto deste ano, em participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro atual do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao ser questionado sobre a decisão de não sediar a COP-25 no País, ele chegou a afirmar que não fez parte dessa tomada de decisão, mas que, “talvez hoje nós disséssemos ‘vamos fazer a COP no Brasil’.

Os dois ex-ministros argumentam que a decisão chilena pode ser uma “oportunidade única para que o Brasil retome seu protagonismo e supere os desacertos que marcaram o início da atual gestão”, considerando o momento em que as políticas ambientais do País são questionadas em todo o mundo.

“Temos ciência das dificuldades logísticas e financeiras de tal empreitada, mas estamos confiantes de que, se o Governo der o passo político e diplomático necessário, haverá esforço suficiente da sociedade brasileira, assim como das Nações Unidas, para a superação dos problemas e a garantia da realização da Conferência. Afinal, a mudança do clima é a questão mais grave e urgente que ameaça a humanidade. É responsabilidade de todos os países e de todos os povos”, escrevem.

Leia abaixo a íntegra da carta

Como ex-ministros do Meio Ambiente – tendo um apresentado a candidatura brasileira para sediar a Conferência do Clima de 2019, perante a Plenária da COP 23, em Bonn, e o outro conseguido a aprovação do evento na Lei Orçamentária deste ano –, diante do anúncio do Governo do Chile de que aquele país não mais sediará a COP 25, fazemos um apelo ao Governo Federal para que reconsidere trazer para o Brasil esse grande encontro.
Temos uma história marcada por avanços importantes na defesa do meio ambiente e muita tradição na negociação da pauta climática. Neste momento, em que o mundo questiona nossas políticas ambientais, abre-se uma oportunidade única para que o Brasil retome seu protagonismo e supere os desacertos que marcaram o início da atual gestão.
Temos ciência das dificuldades logísticas e financeiras de tal empreitada, mas estamos confiantes de que, se o Governo der o passo político e diplomático necessário, haverá esforço suficiente da sociedade brasileira, assim como das Nações Unidas, para a superação dos problemas e a garantia da realização da Conferência. Afinal, a mudança do clima é a questão mais grave e urgente que ameaça a humanidade. É responsabilidade de todos os países e de todos os povos.

José Sarney Filho, ex-Ministro de Estado do Meio Ambiente
Edson Gonçalves Duarte, ex-Ministro de Estado do Meio Ambiente

 

 

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