Coronel da polícia ambiental de São Paulo será presidente do ICMBio

Coronel da polícia ambiental de São Paulo será presidente do ICMBio

Coronel Homero de Giorge Cerqueira disse ao 'Estado' que 'pode ser uma coisa boa' a fusão do órgão com o Ibama; ele assume o cargo deixado por Adalberto Eberhard, que pediu exoneração após desgaste com ministro Ricardo Salles

Giovana Girardi

17 de abril de 2019 | 13h19

O comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, coronel Homero de Giorge Cerqueira, será o novo presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ele foi convidado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como antecipado pelo blog da Andréia Sadi, do G1, e confirmado pelo próprio Cerqueira ao Estado.

Cerqueira disse que recebeu o convite na segunda-feira, 15, logo depois que o então presidente do órgão, Adalberto Eberhard, entregar seu pedido de exoneração a Salles.

Coronel Homero de Giorge Cerqueira será o novo presidente do ICMBio. Crédito: Polícia Militar Ambiental

O pedido de demissão ocorreu após desgaste enfrentado por Eberhard em um reunião com ruralistas no Rio Grande do Sul na qual o ministro decidiu instaurar um procedimento administrativo contra servidores do ICMBio que não estavam presentes na reunião. Eles contam que não haviam sido convidados para o evento.

O ICMBio é o órgão responsável por gerir as unidades de conservação federais – são 334 unidades, que compreendem cerca de 9% do território terrestre e 24,4% do território marinho do Brasil. O órgão é responsável também por 14 centros de pesquisa e conservação de espécies.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente disse que, enquanto o coronel Homero não assume, o cargo será ocupado, interinamente, pelo coronel da reserva do Exército, Antônio César de Oliveira Mendes, que é coordenador-geral de Proteção do ICMBio.

Questionado sobre se vai conduzir, no ICMBio, uma fusão com o Ibama, como aventado como possibilidade para o órgão por Salles nos últimos dias, Cerqueira disse que “vai seguir as diretrizes que o ministro passar”, mas admitiu que vê como uma coisa boa a fusão.

“Antes o Ibama e o ICMBio eram uma coisa só (a separação em dois órgãos é de 2007). Se for para o bem da economia, da população, da sociedade… Acho que temos de fazer coisas boas. Acho que pode ser uma coisa boa, mas tem de discutir com a sociedade, com as comunidades tradicionais.”

Servidores da área ambiental vêm se manifestando, sob condição de anonimato, com medo de represálias, contrariamente a essa fusão. O temor é que a fusão venha a enfraquecer os dois órgãos. Internamente, especula-se que a gestão de unidades de conservação poderia ficar a cargo somente de uma diretoria dentro do Ibama e que os centros de pesquisa poderiam ser extintos ou incorporados também como uma coisa só dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia. O Estado apurou que Eberhard também era contra a fusão.

Histórico

Cerqueira está à frente do policiamento ambiental do Estado desde julho do ano passado e não chegou a trabalhar diretamente com Salles, que foi secretário de Meio Ambiente do Estado entre 2016 e 2017, mas disse conhecê-lo deste período.

Exceto pelo período à frente do comando ambiental, o coronel não teve outras experiências com a área. Atuou em outras unidades da PM, como a Casa Militar, a Escola Superior de Soldados e de Sargentos, o Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, a Corregedoria, o 1º Batalhão de Polícia de Choque “Batalhão Tobias de Aguiar” e o Comando de Policiamento da Capital.

Tem mestrado em doutorado em Educação pela PUC-SP e é especialista em segurança e ordem pública pela Universidade Estadual de Goiás, especialista em Tecnologia Educacional pela Faap, mestre em Educação e Direitos Humanos pelo Centro Universitário Capital, bacharel em Direito pela Universidade de Guarulhos, bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública pela Academia do Barro Branco.

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