Conferência do Clima da ONU também é adiada por causa do coronavírus

Cúpula de combate ao aquecimento global que seria realizada em novembro, em Glasgow, fica para 2021; líderes pedem que pandemia seja chance para reestruturar economias em prol de um planeta mais limpo

Giovana Girardi

01 de abril de 2020 | 21h26

A 26ª Conferência do Clima (COP) da ONU, que seria realizada em novembro em Glasgow, na Escócia, também foi adiada por causa das incertezas sobre os desdobramentos da pandemia causada pelo novo coronavírus.

A decisão foi tomada em conjunto nesta quarta-feira, 1º, pela Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) e os organizadores do evento do Reino Unido e da Itália, que atuavam como parceiros. A nova data da conferência, que discute as ações de todos os países do mundo para conter o avanço do aquecimento global, deverá ser anunciada mais para frente, mas já é sabido que ela ficará para 2021.

“Não há um planeta B”. Crédito: Giovana Girardi / Estadão

Neste ano se esperava que os países fizessem a primeira avaliação das suas metas internas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e revisassem os compromissos de modo a torná-los mais ambiciosos, a fim de segurar o aquecimento do planeta a bem menos de 2ºC até o fim do século.

Os organizadores concluíram que diante da pandemia ainda curso não seria possível realizar uma conferência inclusive e ambiciosa.

O secretário de Estado de Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido, Alok Sharma, que era o presidente designado da COP-26, afirmou, em comunicado à imprensa, que o desafio global atual não tem precedentes e todos os países estão “corretamente focando seus esforços em salvar vidas e lutar contra a covid-19” e que por isso decidiu-se pelo adiamento.

A secretária executiva da UNFCCC, Patricia Espinosa, comentou que neste momento a covid-19 é a “ameaça mais urgente que a humanidade enfrenta atualmente”, mas pediu que os países não esqueçam que a “mudança climática é a maior ameaça que a humanidade enfrenta a longo prazo”.

Ela sugeriu que as nações aproveitem que terão de recomeçar suas economias com estratégias que incluam os mais vulneráveis. É uma chance, disse ela, de “moldar a economia do século 21 de maneiras limpas, verdes, saudáveis, justas, seguras e mais resilientes”.

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, coalizão de ONGs brasileiras em prol de ações contra as mudanças climáticas, também lembrou que “a emergência epidemiológica não desobriga os países de aumentar sua ambição e concretizar ações contra outra grande crise que a humanidade enfrenta, a climática”.

Ele também sugeriu que se aproveite o momento para realizar as mudanças. “Quando a pandemia passar, teremos um mundo definitivamente transformado e uma economia global a reconstruir, e é imprescindível que essa reconstrução ocorra em bases sustentáveis. Devemos aprender com uma crise, para evitar outras. A conferência pode ser um passo decisivo nessa reconstrução.”

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