Análise: Relatório do IPCC força aquecimento global sobre agenda dos candidatos a presidente

Análise: Relatório do IPCC força aquecimento global sobre agenda dos candidatos a presidente

Assunto pouco ou nada tratado nesta eleição, as mudanças climáticas podem se impor como realidade para os futuros governantes. E não tratar do assunto não parece opção razoável

Giovana Girardi

07 Outubro 2018 | 22h41

É uma coincidência interessante que o novo relatório do IPCC seja divulgado no momento em que o Brasil conhece os resultados das urnas. Assunto pouco ou nada tratado nesta eleição, as mudanças climáticas podem se impor como realidade para os futuros governantes. E não tratar do assunto não parece opção razoável.

Ocorrência de eventos extremos deve ficar mais frequente num mundo com um aquecimento médio do planeta de 2°C, na comparação com 1,5°C, aponta novo relatório do IPCC. Crédito: Danny Lawson/PA via AP

A começar pelo cumprimento dos compromissos firmados pelo Brasil junto ao Acordo de Paris. O novo presidente precisará estabelecer os caminhos para cumprir a meta de reduzir nossas emissões em 43% até 2030. Uma das maneiras que o governo disse que vai conseguir isso é com a redução do desmatamento da Amazônia.

O novo relatório do IPCC, ao reforçar a importância de manter o aquecimento ao menor nível possível, lembra que as metas estabelecidas por cada país já são insuficientes para sequer segurar o aumento da temperatura em 2°C – que dirá em 1,5°C. E se alguém não fizer sua parte, os esforços ficarão ainda mais prejudicados.

Essa ameaça já foi posta pelos EUA, quando o presidente Donald Trump anunciou que vai tirar o país do acordo. No Brasil, o primeiro colocado no primeiro turno, o candidato Jair Bolsonaro (PSL), também sinalizou essa intenção. Em entrevistas, ele diz que o Brasil teria de “pagar um preço caro” para atender as exigências e que a soberania do País está em jogo.

O segundo colocado, Fernando Haddad (PT), traz vários pontos sobre isso em seu plano de governo, como instituir uma política de transição para economia de baixo carbono. E zerar as emissões de gases causadores do efeito estufa da matriz elétrica brasileira até 2050.

Pesquisadores brasileiros que participaram do relatório frisam o impacto de o Brasil sair do acordo. “Ter um país em desenvolvimento fazendo o papelão que Trump fez é ruim e poderia puxar com ele outros países, como México e África do Sul”, diz Roberto Schaeffer, da UFRJ. “Seria o maior retrocesso ambiental do Brasil”, resume José Marengo, do Inpe.