WWF lança programa Defensores do Clima no Brasil

WWF lança programa Defensores do Clima no Brasil

Natura é 1ª empresa brasileira a aderir; 21 companhias vão reduzir 14 mi de toneladas de carbono ao ano

Fernanda Fava, estadao.com.br

09 Abril 2010 | 17h51

A ONG WWF-Brasil lançou ontem, em São Paulo, o programa Defensores do Clima no Brasil, uma iniciativa que, há dez anos, reúne 21 empresas de todo o mundo que aceitaram reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa. A empresa de cosméticos Natura é a primeira brasileira a fazer parte da rede, com uma meta de redução de 10% das emissões de suas operações até 2012, em relação a 2008.

 

A Natura começa a integrar um grupo que inclui gigantes como a Coca-Cola, a Nokia e a Sony. Juntas, essas 21 companhias vão deixar de lançar na atmosfera 14 milhões de toneladas de CO2 por ano, o equivalente às emissões anuais do município de São Paulo.

 

O primeiro passo é a empresa participante realizar o inventário de suas emissões e, por meio dele, elaborar estratégias para atingir a meta dentro do tempo de duração mínima de permanência no programa, que é de 7 anos. As empresas podem tanto planejar ações de redução de impacto na sua cadeia produtiva quanto trabalhar com a destinação correta do produto e a consciência do consumidor. A WWF é responsável pela verificação dos resultados, fazendo o monitoramento a cada dois anos.

 

"Nossa estratégia no Brasil é chamar a atenção de setores como agrícola, petroquímica, papel e celulose para seguir os passos da Natura", afirma Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação de Programas Temáticos do WWF-Brasil. "A ideia é prospectar empresas que já fizeram seu inventário, pois isso encurta todo o processo antes da aprovação no projeto, mas é claro que estamos abertos a que as empresas nos procurem."

 

A Natura já tinha um inventário de suas emissões e lançou em 2007 o programa Carbono Neutro, pelo qual se compromete a reduzir 33% das emissões relativas em toda a sua cadeia produtiva. Para isso, a empresa pretende substituir os combustíveis fósseis usados em suas usinas de calor por biomassa e etanol. "Queremos também investir no transporte marítimo de nossos produtos, na otimização das embalagens e na utilização de materiais reciclados", diz o diretor de sustentabilidade da Natura, Marcos Vaz.

 

A empresa de embalagens longa-vida Tetrapak também se comprometeu a reduzir emissões nas suas 48 fábricas em todo o mundo, com a meta de corte de 10% até este ano, com relação aos níveis de 2005, lançando mão de iniciativas de eficiência energética e troca de motores antigos por outros mais econômicos. "A ação da WWF é muito importante porque é uma forma de auditoria, de monitoramento para nos dizer se estamos fazendo a coisa certa", explica Fernando Von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak Brasil.

 

Mercado de carbono

Durante o lançamento do programa Defensores do Clima, as empresas foram questionadas sobre a possível participação no mercado de créditos de carbono brasileiro, e sobre quais seriam as diferenças entre esse mecanismo e projetos como o a WWF.

 

Apesar dos esforços das companhias em se envolver com práticas que demonstrem suas ações de redução e compensação das emissões, na quinta-feira, o primeiro leilão de créditos de carbono do mercado voluntário nacional, realizado pela BM&FBovespa, com a participação de quatro empresas, terminou sem negócio.

 

Para Von Zuben, o problema é a falta de regulamentação do recente mercado de carbono nacional. "Pode ser interessante no futuro, mas por enquanto ainda não sabemos direito como irá funcionar. Em contrapartida, o programa da WWF já existe há dez anos."

 

De acordo com Vaz, são contextos diferentes. "Nos mecanismos de mercado, é feita apenas a compensação das emissões, você continua emitindo o mesmo. A Natura considera que o mais importante são as ações de redução, como a proposta pela WWF, e já trabalha internamente financiando projetos de compensação."

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