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WWF e Greenpeace pressionam pelo fim de emissões de gases

Organizações ambientais pedem acordo global para zerar o uso de combustível fóssil, durante painel do clima

Denise Chrispim Marin, Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2014 | 22h17

As organizações ambientalistas WWF e Greenpeace começaram a pressionar pelo fim das emissões de gases do efeito estufa causadas por combustíveis fósseis em 2050.

A demanda soma-se a outras pressões como a assinatura de um acordo global sobre redução das emissões em 2015, durante a Conferência das Nações Unidas das Partes sobre Mudança Climática (COP21) de Paris. Mas as organizações ambientalistas querem mais: o acordo deve conter compromissos de adoção imediata, sem carência até 2020, como tem sido ventilado.

“Todo o mundo tem de zerar o uso de combustível fóssil. Essa é a mensagem bem vinda do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC)”, afirmou Kaisa Kosonen, conselheira do Greenpeace, referindo-se aos três mais recentes relatórios elaborados por cientistas.

“Chegou a hora de os governos ouvirem os cientistas do IPCC porque ninguém ficará intocável aos efeitos da mudança do clima. O combustível fóssil deve ser deixado onde está. A energia nuclear e o gás xisto não são opções”, disse Gitte Seeberg, secretária-geral do WWF na Dinamarca.

Tanto o Greenpeace como o WWF participaram nesta semana das discussões em Copenhague do IPCC sobre a montagem de uma síntese dos três relatórios sobre a mudança climática, que será apresentada amanhã. Com linguagem e tópicos revisitados pelos governos, essa síntese tende a servir como base de referência para as negociações globais, que começam no próximo mês em Lima, no Peru.

Baseados em pesquisas científicas, os textos originais do IPCC mostram que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, atualmente, é a mais alta dos últimos 800 mil anos e já vem provocando eventos extremos, como secas, ciclones, derretimento no Ártico e em geleiras e inundações. Os oceanos, agora mais ácidos, não são capazes de absorver tamanho volume de carbono.

O responsável por esse quadro, acentuou o IPCC, é o próprio homem. Para o período de 2081 a 2100, a temperatura do planeta deverá subir entre 1,0 e 2,8ºC, na previsão mais otimista, e entre 2,8 e 7,8ºC, na mais pessimista. E, para que a temperatura não avance mais do que 2ºC até 2100, será preciso puxar a concentração de dióxido de carbono equivalente na atmosfera para cerca de 500 gigatoneladas. Caso contrário, ilhas e países inteiros podem ser submersos pelos oceanos, inundações afetarão ainda mais as populações costeiras e ficarão comprometidas as reservas de água potável e a produção agropecuária. Espécies e biomas desaparecerão, e a pobreza e desigualdade social do mundo vão aumentar, segundo o IPCC.

A pressa das organizações ambientalistas em ver os compromissos de governos celebrados em 2015 e adotados logo em seguida tem justificativa. “Até 2029, o avanço tecnológico conseguirá compensar os efeitos da mudança climática. A partir de 2030, já não terá essa mesma capacidade”, afirmou Stephan Singer, líder da delegação do WWF no encontro do IPCC em Copenhague. “Se os governos esperarem até 2020 para adotar as primeiras medidas, será tarde demais. Temos de começar agora”, completou Samantha Smith, líder da Iniciativa do WWF sobre Clima e Energia.

Renovável. Segundo Kaisa Kosonen, zerar as emissões geradas pelos combustíveis fósseis em 2050 tende a se tornar menos traumático nos próximos 25 anos, quando os investimentos nesse setor já não serão tão vantajosos. Sigurd Lauge Pedersen, conselheiro da Agência de Energia da Dinamarca, confirmou haver tendência de queda do custo do investimento em energia renovável nas próximas décadas e de aumento, no caso dos combustíveis fósseis. Em 2050, informou ele, 95% da energia disponível no mundo será renovável.

“A partir de 2020, não será mais permitida a construção de residências na União Europeia que não sejam neutras em termos de emissões dos gases de efeito estufa”, afirmou Pedersen, referindo-se a recente normativa que previu também a redução de 40% das emissões europeias até 2030. 

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