Volume de lama tóxica na Hungria se aproxima ao acidente da BP

Vazaram até 184 milhões de galões do lodo alcalino - o petróleo no Golfo do México chegou a 200 mi

AP

08 Outubro 2010 | 12h13

KOLONTAR, Hungria - Oficiais do giverno húngaro relataram hoje que o Rio Danúbio está absorvendo a lama tóxica vermelho com pouco dano imediato, embora a quantidade de lama cáustica derramada sobre a Hungria ocidental seja quase tão grande como a do petróleo que vazou no Golfo do México.   

 

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As autoridades governamentais calculam que 600.000 a 700.000 metros cúbicos (158 a 184 milhões de galões) do líquido alcalino já tenha se alastrado pela Hungria - pouco menos do que os 200 milhões de galões de petróleo despejados no Golfo, ao longo de vários meses a partir de abril, em decorrência de um acidente da petroleira britânica BP.

 

Funcionários do serviço nacional da Hungria de socorro ao desastre também disseram que uma quinta pessoa - homem de 81 anos - morreu na manhã de sexta-feira, por conta das lesões da inundação alcalina.

 

A lama vermelha entrou no Danúbio na quinta-feira e se move em direção aos vizinhos Hungria, Croácia, Sérvia e Romênia. Teme-se que ele vá comprometer a vida dos peixes e plantas do rio. Amostras da água têm sido coletadas constantemente para avaliar os danos do vazamento, mas não houve relatos de prejuízos graves para o ecossistema da hidrovia. Apesar de riachos e rios próximos ao reservatório terem sido devastados pela lama vermelha, o Danúbio, segundo maior rio da Europa, parece absorver o impacto devido ao seu enorme volume de água.

 

O nível do pH da água onde a lama entrou no Danúbio é de 9 - bem abaixo dos 13,5 medidos em cursos d'água locais atingidos na segunda-feira pela torrente tóxica, disse o porta-voz da agência de resgate húngara Tibor Dobson à agência de notícias estatal MTI. Dobson acrescentou que tais valores não representam nenhum prejuízo para o ambiente.

 

O pH normal para a água é 7, com variação entre 6,5 e 8,5. Cada número pH é dez vezes superior ao nível anterior, de modo

um pH de 13 é 1.000 vezes mais alcalino do que um pH de 10. Equipes de emergência estão drenando um segundo

reservatório industrial na região do vazamento para evitar um novo desastre.

 

Dobson disse à MTI que 100.000 metros cúbicos do líquido, de um tanque de armazenamento próximo ao reservatório, estão sendo

gradualmente despejados em um rio já declarado morto da região, na esteira da catástrofe ambiental iniciada na segunda-feira. Helicópteros tem despejado gesso no rio Marcal para neutralizar o efeito alcalino do líquido, disse ele.

 

A Academia Húngara de Ciências afirma que, apesar do material representar um perigo contínuo, as concentrações de metais pesados não são consideradas perigosas para o ambiente. "A academia pode dizer o que quiser", esbraveja Barbara Szalai Szita, que vive em Devecser, uma das aldeias mais atingidas. "Tudo o que sei é que se eu passar 30 minutos fora eu sinto mau gosto na minha boca e minha língua fica estranha".   

 

O ministro do meio ambiente da Hungria, Zoltan Illes, disse que o lodo, que cobre uma área de 16 quilômetros quadrados (41 quilômetros quadrados) tem "um alto teor de metais pesados", alguns dos quais podem causar câncer. Ele alertou para possíveis perigos para o ambiente, especificamente para sistemas de águas subterrâneas.   

 

Com a chuva dando lugar a um  tempo mais seco e quente nos últimos dois dias, a lama cáustica cada vez mais tem se tornado poeira em suspensão, o que pode causar problemas respiratórios, Illes acrescenta. Dobson pede que os moradores próximos da área de inundação tóxica utilizem máscaras.   

 

Um grupo ambiental que monitora ameaças ao Danúbio disse que o reservatório estava em uma lista, feita em 2006, com cerca de 100

instalações industriais com risco de acidentes que pudessem contaminar o rio, que possui 1.775 milhas (2.856 km). A

Comissão Internacional para a Proteção do Rio Danúbio coordena os esforços de conservação das 10 nações que fazem fronteira com o interior e seus afluentes.

 

Os efeitos a longo prazo na região agrícola será devastador. Cerca de 2.000 acres (809 hectares) de terra vegetal terão de ser desenterrados e substituídos, porque a lama altamente alcalina já matou todos os nutrientes e organismos necessários para

manter o solo saudável, de acordo com Illes.

 

Ainda não se sabe o que causou o acidente no reservatório, que desencadeou uma torrente de lama. Três pessoas ainda estão

em falta. Mais de 150 foram tratadas por queimaduras e outras lesões, e 10 ainda estão em estado grave. Equipes que procuram os desaparecidos estão drenando um lago tomado pela lama. Hoje, nenhum corpo foi encontrado.

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