Ajay Verma/Reuters
Ajay Verma/Reuters

Virada Sustentável: Negócios precisam se adaptar às mudanças climáticas

Consequências do efeito estufa já estão aparecendo e falta visão de longo prazo nas empresas, segundo especialista

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

25 Agosto 2017 | 15h08

Um dos temas mais discutidos desde a inauguração da Virada Sustentável, em São Paulo, as mudanças climáticas tiveram nova abordagem nesta sexta-feira. Segundo os especialistas, que participaram do debate "Riscos Climáticos: Impacto das Mudanças Climáticas nos Negócios", no Unibes Cultural, as empresas precisam se adaptar a novas realidades do planeta, que sofre com as consequências do fenômeno do efeito estufa, para reduzir danos e se planejarem para o futuro. 

Segundo projeção do Fórum Mundial Econômico de 2016 para cenários futuros, em 10 anos existe um risco de 39,8% das empresas serem atingidas por crise hídrica, 36,7% de serem afetadas por falhas na mitigação e adaptação às mudanças climáticas e 26,5% de sofrerem com eventos climáticos extremos.

Para se ter uma ideia de como a adaptação pode ser muito mais econômica a longo prazo, um estudo coordenado pelo pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), apontou que custaria R$ 30 milhões para a cidade de Santos se adaptar às consequências das mudanças climáticas. O risco principal é o aumento no nível do mar, previsto para subir pelo menos 18 centímetros até 2050, podendo chegar a até 45 centímetros em 2100. Porém, se o município não fizer nada, terá um prejuízo de R$ 1,5 bilhão até o fim do século.

Longo prazo. Para Betânia Vilas Boas, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as empresas em geral têm atuação em setores com risco direto, como o agronegócio. Por exemplo, em uma área de plantação de café, os grandes produtores estão preocupados com as chuvas, a cotação do grão e o preço do dólar. “Mas eles têm de pensar se será possível produzir naquele local daqui a 15, 20 anos. Falta visão de longo prazo”, diz Betânia. 

O responsável por mudanças climáticas na Braskem, Luiz Carlos Xavier, disse que apenas mitigar a emissão de gases do efeito estufa não é o suficiente, já que essas substâncias ficam na atmosfera por até 100 anos. “As mudanças climáticas já estão impactando agora, com secas extremas e intensificação de descargas elétricas”, afirma o representante da fabricante de resinas termoplásticas e maior produtora mundial de biopolímeros (resinas plásticas oriundas da cana-de-açúcar).

Xavier também pondera que a adaptação às mudanças climáticas pode trazer oportunidades, por exemplo, no desenvolvimento de novos produtos. “Desenvolvemos uma lona plástica para usar na agricultura que reduz o consumo de água e a necessidade de uso de agrotóxicos”, diz. 

Segundo o relatório CDP Water Report, de 2014, com 573 investidores, que acumulam um ativo de US$ 60 trilhões, 68% se consideram expostas a riscos relacionados a recursos hídricos, como escassez de água ou má qualidade – problemas que podem ser causados ou agravados pelas mudanças climáticas. 

Outro exemplo de adaptação vem da indústria madeireira. Segundo Giovanni Rettl, coordenador de sustentabilidade da Duratex, empresa que produz painéis e chapas de madeira, a companha desenvolve um trabalho de genética para produzir espécies de eucalipto que consomem menos água e são mais resistentes à escassez.

 

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