Virada Sustentável é inaugurada e pede participação da sociedade pelo meio ambiente

Virada Sustentável é inaugurada e pede participação da sociedade pelo meio ambiente

Representantes de empresas e das esferas civis, governamentais e acadêmicas participaram da abertura do evento com um debate sobre desenvolvimento sustentável no País

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

24 Agosto 2017 | 15h00

A Virada Sustentável tem como eixo os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), que englobam metas ambientais, mas também incluem combate à pobreza, igualdade de gêneros, educação de qualidade, entre outros propósitos sociais. A ideia é desenvolver esses objetivos até 2030.

Para Haroldo Machado Filho, os ODS são uma agenda viva e devem estar enraizados no cotidiano das pessoas. “É uma agenda para chefes de estado e chefes de família”, disse o assessor do PNUD, que ainda ressaltou a importância da Virada de levar os temas de desenvolvimento sustentável para o grande público, que muitas vezes não tem acesso a esse conhecimento: “Temos de parar de pregar para convertidos”.

O vereador Gilberto Natalini, que na semana passada foi afastado da secretaria municipal do verde e do meio ambiente, disse que há um completo descaso no setor governamental com o tema ambiental. “O orçamento da pasta é, hoje, 0,27% do orçamento municipal. Daqui a pouco chega a zero”, disse.

Para o vereador, mudar os paradigmas, hábitos e convicções é difícil. Principalmente dentro da esfera pública. “Existem aqueles que são mais voltados ao tema, e outros estão pouco se lixando”. Natalini ainda afirmou que o próximo desafio é fazer com que a Câmara Municipal assine uma adesão aos ODS. 

Mas a agenda 2030 deve ser abraçada pelas empresas também. Como representante do setor privado no debate inaugural da Virada Sustentável, o vice-presidente da Braskem, Marcelo Cerqueira, disse que as companhias têm papel importante na solução de problemas ambientais. “Não podemos esperar leis. Precisamos de compromissos voluntários que pensem não apenas na empresa, mas no entorno, e temos que partir para ações concretas, com transparência”, afirmou.

Confira a programação da Virada Sustentável

A diretora-executiva da ONG WRI Brasil (World Resources Iniciative), Rachel Biderman, também participou do evento e chamou a sociedade civil a participar da luta ambiental. “Militância de sofá não adianta. Temos que ir para as ruas, nos envolvermos com política”, disse. Para Rachel, com tantos conhecimentos e recursos que a sociedade tem à disposição hoje, o desenvolvimento sustentável tem de dar certo. “Os ODS parecem complexos, mas na verdade eles mostram que não dá certo fazer tudo separadamente, tem de haver sinergia entre as áreas”.

Para Pedro Jacobi, coordenador do grupo de estudos de meio ambiente e sociedade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) IEA/USP, essa sinergia também tem de acontecer entre a universidade e outros setores da sociedade. “É um desafio para os acadêmicos saírem da caixa, mas a humanidade está lidando com questões com as quais nunca teve de lidar antes”, disse. Por isso, para Jacobi a produção de conhecimento acadêmico deve ser compartilhada. “O conhecimento ambiental é desafiador porque demanda interdisciplinaridade”, afirmou.    

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