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Velha briga entre ricos e pobres atrasa COP do clima

Giovana Girardi - ENVIADA ESPECIAL / DOHA

07 Dezembro 2012 | 19h 11

Países em desenvolvimento pedem um compromisso de doação de US$ 60 bilhões até 2015, desenvolvidos dizem não poder oferecer nada neste momento

Com praticamente nada acordado, a Conferência do Clima da ONU, que acontece em Doha (Catar), não pôde ser finalizada até o início da noite desta sexta-feira, 07, e se estenderá pela madrugada de sábado.

Os três principais objetivos - extensão do Protocolo de Kyoto para um segundo período de compromisso; conclusão do LCA (grupo de trabalho sobre cooperação de longo prazo); e definição de uma guia sobre o que deve ser o novo tratado climático, a ser fechado em 2015 - mantinham opções em aberto para a decisão ministerial.

Como definiu um membro da delegação brasileira, pela primeira vez na história das COPs, toda a pressão da decisão estava sobre os países desenvolvidos, que punham entraves para colocar dinheiro na mesa, ou ao menos um plano de como vão distribuir dinheiro nos próximos anos; a trazerem metas mais ambiciosas de redução das emissões; e até sobre os princípios básicos que devem nortear o novo regime climático.

As finanças permanecem como grande entrave. Países em desenvolvimento pedem um compromisso de doação de US$ 60 bilhões até 2015, desenvolvidos dizem não poder oferecer nada neste momento.

Na plenária da chamada Plataforma de Durban, que trata do novo regime, a controvérsia estava em torno da menção ou não ao documento proveniente da Rio+20, que fala sobre equidade e traz o princípio da Responsabilidade Comum, Porém Diferenciada (CBDR, na sigla em inglês).

Delegados de Estados Unidos, Noruega e México, que pediram sua exclusão, justificaram que o documento é muito amplo e poderia gerar confusão de interpretação. Ao que retrucou o egípcio: "Ele é muito relevante ao falar que tem de proteger o clima com equidade e CBDR". Já o representante da Bolívia tentou simplificar: "Não entendemos por que algumas partes não querem a inclusão dessa simples menção. Todos aqui não aprovaram o documento e ele não tem específicas menções à mudança climática?".

Em Kyoto permanecia a dificuldade sobre o que fazer com o chamado "hot air", uma espécie de poupança de emissões reduzidas que países como Rússia e Polônia têm porque diminuíram mais do que precisavam e querem agora carregá-la para as novas metas.

A proposta que foi colocada é de um limite de 2,5% para o uso disso para desconto das metas desses países no segundo período de Kyoto. Havia também uma expectativa de que alguns países fariam anúncios durante a plenária final de que não vão aceitar comprar esse tipo de "crédito", visto que ele não representa uma real redução de emissões - se deu mais por conta de adequação dos países após o fim do comunismo - e poderia comprometer a integridade ambiental de Kyoto.

A repórter viaja a convite da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC)