Vale diz que madeira pode ter sido roubada no Pará

A empresa foi multada em mais de R$ 5 milhões, acusada de vender ilegalmente 9.500 metros cúbicos de madeira

Daniele Carvalho, da Agência Estado,

11 Julho 2008 | 13h51

O presidente da Vale, Roger Agnelli, levantou a hipótese de roubo de madeira na unidade de Paragominas, no Pará, da empresa, multada pelo Ibama por suposta venda ilegal do insumo. "Aquela região é muito complicada, pode ter havido, com uma boa dose de probabilidade, roubo da madeira", afirmou.   A Vale foi multada em mais de R$ 5 milhões, acusada de vender ilegalmente 9.500 metros cúbicos de madeira "in natura" e pelo depósito ilegal de 612 metros cúbicos de madeira em tora, no município de Paragominas. Agnelli informou que dois funcionários da empresa foram demitidos e a empresa está investigando o que ocorreu no Pará.   Ele participou de lançamento de projeto na área de sustentabilidade ambiental da empresa, no Rio.   Na quinta-feira, 10, o diretor de Meio Ambiente da Vale, Luiz Claudio Castro, já havia negado a acusação de venda ilegal de madeira, mas reconhecera um "erro de cálculo". Segundo ele, a Vale apresentou em 2005 pedido à Secretaria do Meio Ambiente do Pará para extrair até 11 mil m3 de madeira e obteve autorização em setembro de 2006, mas extraiu "apenas 2,7 mil m3 porque a estimativa inicial estava errada". Por isso, disse ele, o Ibama encontrou um volume de madeira menor que o esperado no pátio da companhia, e presumiu que o excedente havia sido vendido.   A mineradora informou que os dois funcionários responsáveis pelo cálculo - um técnico e um gerente - foram demitidos. "O erro é grave, e acabou gerando um mal-entendido com o Ibama. Não houve má-fé", afirmou Castro.   A multa foi anunciada na véspera do evento organizado pela empresa para divulgar um prêmio na área ambiental. O objetivo do prêmio é nomear seis espécies botânicas descobertas na reserva de 22 mil hectares que a empresa mantém em Linhares (ES).   Também está prevista para esta sexta-feira, 11, a assinatura, por Agnelli e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de um documento no qual a Vale se compromete oficialmente a vender minério de ferro somente a pequenos produtores e siderúrgicas que comprovem a origem legal da madeira e do carvão que utilizam.   Há um mês, Minc anunciou multas aplicadas por uso ilegal de carvão que totalizaram R$ 414 milhões - dos 60 punidos, 34 eram clientes da Vale.

Mais conteúdo sobre:
meio ambiente vale ibama amazônia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.