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Usina de Itaipu expande programas socioambientais

Cidades beneficiadas passaram de 16 para 29; meta é proteger nascentes e, por tabela, a água que chega ao reservatório

Bruno Deiro, enviado especial

27 Novembro 2012 | 22h30

FOZ DO IGUAÇU - O gigante de aço e concreto que por décadas buscou remediar o inevitável impacto ambiental de suas obras, encerradas há 30 anos, hoje quer reduzir a influência que sofre de seu entorno. Desde 2003, Itaipu expandiu os programas socioambientais de 16 para 29 cidades, atuando em toda a bacia do Rio Paraná 3. O motivo, porém, vai além de contrapartidas obrigatórias: é também uma questão de sobrevivência.

Mensurar a extensão da influência da hidrelétrica sobre o ecossistema local é quase impossível - na época da construção, a prioridade era econômica, e não ambiental, e não foi feito um inventário detalhado da fauna e flora. Sabe-se, por exemplo, que hoje há cerca de 70 novas espécies de peixe na região, mas os dados anteriores à usina são pouco abrangentes.

Há quem se apoie nesta fragilidade de informações para questionar as mudanças na região. Corre na Justiça um pedido de indenização de R$ 2 bilhões feito por 1,3 mil produtores rurais de 13 municípios que margeiam o lago de Itaipu. Eles alegam que a usina causou alterações microclimáticas em uma área de 700 km2, supostamente provocando queda de 40% na produtividade. Uma comissão técnica, com a participação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), estuda a alegação, descartada pela empresa. A "cortina verde" formada no reservatório, alegam ainda, causa danos às lavouras e seria responsável por supostos prejuízos acumulados há 25 anos.

A reconstrução da mata ciliar ao redor do reservatório, porém, é um dos maiores orgulhos de Itaipu e está praticamente concluída. O desafio agora é fazer o mesmo nos 540 km de sub-bacias que desembocam no lago.

"Começamos elegendo uma bacia por município para recuperar com áreas de proteção, em acordo com os prefeitos. Hoje, já há cidades que estão perto de 100% de reflorestamento", diz o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek. "O processo só não tem sido mais ágil por conta da discussão sobre o novo Código Florestal, que causou indefinição."

O programa Cultivando Água Boa intensificou a preocupação com as nascentes, que podem prejudicar a qualidade da água e ameaçar a vida útil da usina pela aceleração do assoreamento, entre outros problemas. Após redefinir o ecossistema da região de Foz do Iguaçu, no oeste paranaense, a maior obra de engenharia já realizada no País foi atrás de comunidades que, desde 1991, eram beneficiadas apenas pelo pagamento de royalties.

"Ainda há muita desconfiança quanto aos programas. A percepção de meio ambiente é associada a multas e fechamento de fazendas", afirma o diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich.

A construção da usina, porém, deixou marcas duradouras. A maior delas foi o fim das míticas cataratas de Sete Quedas de Guaíra - decisão unilateral do regime militar. Centrada só no fornecimento de energia por muitos anos, a binacional deu margem a mitos que sobrevivem até hoje: um estudo recente da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP mostrou que 75% da população de Foz acreditam que há possibilidade real de a barragem ruir.

O valor da produção de energia de Itaipu, porém, é inquestionável. Responsável por cerca de 20% do total produzido no País, a usina deve superar a própria marca - por conta das chuvas no início do ano, já produz 3% a mais que o mesmo período de 2008, quando atingiu o recorde mundial de 94,6 milhões de megawatts/hora.

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