UE propõe proibir testes científicos em grandes primatas

Entidades de proteção aos animais querem proibição de experiências com todas as espécies de animais

Reuters

05 Novembro 2008 | 17h53

A autoridade européia de Meio Ambiente planeja proibir testes de laboratório com os parentes mais próximos do homem - chimpanzés, gorilas, bonobos e orangotangos - em um combate aos testes em animais pela indústria farmacêutica e outros laboratórios.   Mas alguns grupos de proteção aos animais de pesquisadores acusaram a União Européia de mascarar uma regulamentação fraca com gestos vazios, já que nenhum grande primata é usado em pesquisas na Europa há seis anos.   "O projeto de legislação de hoje inclui a proibição de testes com esses primatas, mas nenhum deles é usado para pesquisas no momento, isso é considerado por muitos defensores da causa um gesto simbólico", disse o representante Hadwen Trust, da Humane Research.   "É importante acabar com todos os tipos de testes com animais", disse Stavros Dimas, da Comissão Ambiental Européia. "Pesquisas científicas devem se concentrar em encontrar formas alternativas de testes."   Cerca de 12 milhões de vertebrados são usados a cada ano em experiências nos 27 países do bloco - metade para o desenvolvimento de medicamentos, um terço para estudos biológicos e o resto para testes cosméticos, toxicológicos e diagnósticos de doenças.   Cerca de 80% deles são roedores. Os primatas contam cerca de 12 mil animais.   Se a proposta européia for aprovada, os Estados-membros terão que reforçar os padrões para o tratamento de animais, que só seriam usados em situações extremas e em números reduzidos.   Os grandes primatas só poderiam ser usados em experimentos se a sobrevivência da própria espécie estivesse em jogo, ou no caso de uma situação inesperada e ameaçadora para a espécie humana.   Pesquisadores argumentam que já tentaram evitar usar os primatas, mas que eles são indispensáveis para a descoberta da cura de doenças humanas como a aids e o câncer.

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