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Texto de Kyoto 'fecha' com diversas opções abertas

Giovana Girardi, Enviada especial

05 Dezembro 2012 | 22h 30

O chamado 'hot air' e a validade do novo período de Kyoto ainda são temas controversos

DOHA - O texto sobre o segundo período do Protocolo de Kyoto estava sendo concluído na noite desta quarta-feira, 5, para ir para a apreciação dos ministros presentes na COP do Catar com ainda uma porção de pontos que terão de ser decididos pelo segmento de alto nível. Mecanismos para aumentar a ambição das metas ao longo de sua vigência, decisão sobre o chamado "hot air" (uma poupança de emissões reduzidas) e o próprio período em que o protocolo vai durar, se até 2017 ou 2020 ainda estão abertos.

De acordo com o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, um dos principais negociadores do País, foram propostas "alternativas construtivas para resolver os desafios técnicos" e que já existe uma base para fechar realmente os trabalhos.

Uma das questões mais complicadas é o que fazer com o chamado "hot air", uma espécie de poupança de crédito de emissões reduzidas a mais que países do leste europeu e Rússia têm.

Nações como Polônia e Ucrânia querem poder continuar usando indiscriminadamente, o que, para os países em desenvolvimento e a própria Europa, compromete a integridade ambiental do acordo. Esse crédito não é proveniente de ações efetivas, mas de uma certa adequação do ex-mundo comunista. Já a Rússia, que não se comprometeu com o segundo período, queria poder continuar vendendo esses créditos para países que tenham de fazer reduções, sejam em Kyoto, sejam voluntárias.

Numa das primeiras manifestações à imprensa, diplomatas russos tentaram minimizar a polêmica e disseram que querem manter a "coerência legal do regime" do Protocolo de Kyoto, que prevê incentivos para quem cumpriu seus compromissos, e ter ao menos algum tipo de certificação de que eles alcançaram suas metas de redução. União Europeia, por exemplo, já disse que dentro do grupo a Rússia não poderá vender esses créditos. E os russos não quiseram especular sobre os eventuais usos, mas teme-se que isso possa ser levado para um futuro regime climático pós-2020.

O Brasil chegou a fazer uma proposta para tentar resolver essa pendência, mas ela ainda não foi adotada pelo G-77 (grupo dos países em desenvolvimento mais China). Seu conteúdo não foi detalhado por Lago, mas pode ser algo intermediário, que talvez proíba o uso desses créditos agora, mas permita que ele seja levado num futuro somente para uso próprio, desde que não ultrapasse as metas desses países para um novo acordo climático que seja fechado em 2015 e valha a partir de 2020.