SWU: o festival que virou rede social

Evento trouxe atrações de primeira linha, mas organização não deixou boas impressões

Karina Ninni, estadao.com.br

08 Outubro 2010 | 21h34

Quando criou a marca SWU, sigla de Starts With You (Começa Com Você), o publicitário brasileiro Eduardo Fischer sabia muito bem o que queria: chamar atenção do público jovem para a questão da sustentabilidade e "bombar" o festival homônimo, que termina nesta segunda, 11. "O festival dura três dias, mas o movimento não tem mais fim", afirma o publicitário.

 

O forte da campanha idealizada por Fischer foi usar as redes sociais para mobilizar a juventude. "Fizemos muitas pesquisas e descobrimos que era necessário conscientizar o jovem para agir em prol do meio ambiente", disse Fischer, que afirmou ter acordado para a questão da sustentabilidade há cerca de um ano. O primeiro passo foi divulgar dicas de como agir para o bem do planeta -- tais como não carregar o celular a noite toda, apagar a luz quando sair de um ambiente, andar mais a pé e de bike e dar carona para os colegas de escola e trabalho. Depois o idealizador tratou de engajar artistas na causa, por meio de spots de rádio e anúncios veiculados nos meios de comunicação.

 

Se o resultado da marca foi muito além do esperado, como frisou o publicitário -- referindo-se ao fato de que, passados os primeiros 90 dias da divulgação da marca pelo portal oficial (http://www.swu.com.br/), o site já era acessado em 126 países -- a organização do evento não teve o mesmo destino feliz. Em conversa com o Estadão, Eduardo Fischer, idealizador do SWU, disse que o festival seria o maior evento do gênero já realizado no Brasil e que a organização não deixaria a desejar. Mas os relatos de quem esteve na Fazenda Maeda, em Itu, dão conta de falta de organização, principalmente na hora da saída, depois dos shows.

 

O festival teve cerca de 25 atrações por dia, com destaque para as internacionalmente conhecidas Dave Matthews Band e Rage Against the Machine -- que, no sábado, amargou duas vezes uma pane de som no meio do show. O fato é que, passados os três dias de folia, o saldo para boa parte dos que se deslocaram até Itu não foi dos mais positivos, conforme mostra o texto do repórter Guilherme Conte, do suplemento Divirta-se.

 

Veja agora trechos da entrevista com Eduardo Fischer:

 

Estadão - Você diz que o movimento surgiu para "conscientizar os jovens" sobre o meio ambiente. E o cidadão Eduardo Fischer, sempre foi consciente sobre as questões ambientais?

 

Fischer - Eu era o maior gastão do planeta até outubro do ano passado, não parava para pensar nisso. Mas, pouco a pouco, a ficha foi caindo. Hoje tomo banhos rápidos, minha conta de luz caiu 15%, a de água teve redução de 25%. Minha secretária lá de casa jogava o óleo no ralo, sim. Até que eu disse para ele que 1 litro de óleo pode contaminar 1 milhão de litros de água. Agora não jogamos mais óleo dentro do ralo da pia. Temos um programa de recolhimento no condomínio onde moro.

 

Estadão - Como foi a repercussão do evento nas redes sociais?

 

Fischer - Foi um sucesso!! Passados apenas 90 dias da divulgação da marca pelo portal oficial (http://www.swu.com.br/), o site já era acessado em 126 países e recebia mais de 50 mil visitas por dia. Havia mais de 100 comunidades independentes relativas ao evento e mais de 120.000 seguidores nas redes sociais.

 

Estadão - Vocês tiveram a preocupação de trazer bandas engajadas na questão ambiental?

 

Fischer - Sim, 70% das bandas têm algum engajamento  em algum movimento socioambiental.

 

Estadão - E quanto à estrutura do evento? Vocês tiveram cuidado com resíduos, geração de energia e tudo mais?

 

Fischer - Claro! Todos os nossos fornecedores participaram de um treinamento coletivo para conhecer o compromisso do SWU. Durante o festival, uma equipe de voluntários atuou junto ao público passando informações e dicas de sustentabilidade. A maior parte da energia do festival veio de geradores à base de biodiesel. Montamos uma ilha de energia solar também, que ficou disponível para o carregamento de baterias de celulares e outros aparelhos. Durante a noite nas áreas de camping havia sensores de iluminação. Para mitigar as emissões com transporte aéreo de artistas, traslados, montagem e desmontagem serão plantadas milhares de árvores em área de preservação permanente na reserva de Mata Atlântica de Itu, próximo ao local de realização do evento. Todo o resíduo gerado está sendo encaminhado à estação de reciclagem. Para incentivar o reaproveitamento de copo descartável, na compra de bebida, quem levava o copo para refil ganhava desconto. O resíduo orgânico será separado e destinado para a compostagem. As duchas dos campings tinham temporizador e cada pessoa tinha tempo máximo de banho de 7 minutos. Nós pensamos em tudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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