TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Suíça prevê 'pressão política' sobre governo Temer por Amazônia

Decisão da semana passada suspende, por ora, a permissão para que a exploração mineral avance sobre a região amazônica

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2017 | 07h57

GENEBRA - A presidente da Suíça, Doris Leuthard, sinaliza que a decisão do governo de Michel Temer de anunciar a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), área de preservação entre Pará e Amapá, não é um bom sinal aos doadores de países ricos e prevê que haverá uma "pressão política" sobre o governo brasileiro nos próximos anos para garantir a proteção das florestas tropicais. 

Na semana passada, Brasília recuou e determinou a paralisação de todos os procedimentos relativos à atividade de mineradoras na área localizada entre o Pará e o Amapá. Na prática, a decisão não revoga o decreto assinado pelo presidente Michel Temer, mas suspende, por ora, a permissão para que a exploração mineral avance sobre a região amazônica.

O Ministério de Minas e Energia afirma que a decisão foi tomada pelo ministro Fernando Coelho Filho após consultar Temer, que está em viagem à China. "A partir de agora o ministério dará início a um amplo debate com a sociedade sobre as alternativas para a proteção da região. Inclusive propondo medidas de curto prazo que coíbam atividades ilegais em curso", diz o texto.

Esse foi o primeiro recuo do governo em relação ao tema. No início da semana passada, o Palácio do Planalto tentou criar uma cortina de fumaça reeditando o decreto, mas não mudou efetivamente nada do texto.  O debate sobre a Renca tem sido prejudicado por uma série de informações equivocadas, como o que dava a ideia de que as reservas ambientais da região seriam o alvo da mineração, quando isso já é proibido por lei e não era alvo do decreto inicial.

"Não é encorajador para a comunidade de doadores", alertou a presidente da Suíça, que acumula o cargo de ministra do Meio Ambiente. "Temos de fazer pressão política", admitiu.

"O Brasil tem de cumprir seus requerimentos na proteção de florestas tropicais, o país tem de pensar ainda no impacto da erosão", disse. A presidente lembrou que a Suíça é um dos países que faz parte das iniciativas de financiamento da proteção de florestas. 

Para cumprir suas metas de redução de emissões, Leuthard considera que o Brasil terá desafios. "O Brasil tem uma situação difícil com o petróleo. Para chegar a seus objetivos, vai ser duro", alertou. "Vamos ver qual será a alternativa que apresentarão", disse. 

A presidente indicou que a Suíça, até agora, já doou US$ 300 milhões para iniciativas de mitigação ambiental pelo mundo e aponta que terá de ampliar sua prestação. Para ela, porém, existe o risco de que haja uma queda de contribuições por parte do governo dos EUA, sob o governo de Donald Trump. 

A esperança, segundo a presidente, é de que a diferença que possa gerar pela queda da ajuda americana seja preenchido pelo setor privado e grandes bancos de desenvolvimento. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.