Só lucros farão combate ao aquecimento dar certo, diz Clinton

Em Hong Kong, ex-presidente defende medidas pragmáticas para envolver países ricos

Marina Wentzel, BBC

02 Dezembro 2008 | 07h21

O esforço internacional para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa só terá sucesso se for economicamente justificável, afirmou nesta terça-feira, 2, em Hong Kong o ex-presidente americano Bill Clinton.       Veja também:   Desmatar para produzir biocombustível piora clima, diz estudo  Crise pode prejudicar atualização do Protocolo de Kyoto Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Página oficial da conferência  Gases estufa atingiram níveis recordes em 2007, diz ONU Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018 "Precisamos descobrir como fazer isso ser economicamente viável", disse ele, durante um evento organizado por sua fundação, a Clinton Global Initiative. O ex-presidente afirmou que o combate ao aquecimento global precisa gerar lucro e criar empregos para motivar os países a se comprometer com a causa ambiental por questões pragmáticas. Além de Clinton, o ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, a presidente das Filipinas, Glória Macapagal-Arroyo, e outras autoridades também participaram do evento. O encontro da organização ocorre ao mesmo tempo em que mais de 9 mil delegados de países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúnem em Poznan, na Polônia, para discutir a mudança climática e tentar esboçar um acordo para o próximo encontro, marcado para o ano que vem em Copenhague, na Dinamarca. Emergentes Os participantes concordaram que é necessário cooperação para conseguir desenhar uma estratégia sucessora do Protocolo de Kyoto, que funcione na prática e não seja um ponto de confrontação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. "Havia pessoas na China que acreditavam que isso (o Protocolo de Kyoto) era um complô para desacelerar o crescimento econômico dos emergentes", disse Clinton. "Mas eles mudaram, só que agora vamos ter que negociar um novo acordo desde o princípio". Clinton perguntou ao ministro Yang Jiechi como seria possível "evitar a briga que arruinou Kyoto", referindo-se à posição antagônica que Estados Unidos e China adotaram nas negociações do acordo. Yang Jiechi reiterou a posição chinesa e cobrou dos países ricos transferência de tecnologia e recursos financeiros para o combate ao aquecimento global. "Acredito que os países desenvolvidos devem liderar o combate dando ajuda tecnológica e de capital aos países em desenvolvimento", disse Yang. China e Estados Unidos se acusam mutuamente de ser o maior poluidor do mundo. Em termos absolutos, os chineses são os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa, mas argumentam que os norte-americanos têm um nível de emissões de gases per capita muito superior. Fundo Há um mês, a China sugeriu, em uma conferência da ONU em Pequim, que os países ricos doassem 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para um fundo internacional que proveria a transferência de tecnologia verde para os países em desenvolvimento. Na ocasião, o presidente Hu Jintao criticou o estilo de vida ocidental, que chamou de "insustentável", e disse que eles têm "responsabilidade e obrigação" de mudar o modo como vivem. "Não podemos pedir a países como a Índia ou a China que façam um voto de pobreza para que nós continuemos com o nosso estilo de vida", reconheceu Clinton, referindo-se aos hábitos de consumo dos países ricos. Clinton não chegou a falar especificamente no Brasil, mas ressaltou que cerca de 18% de todas as emissões causadas pelo mundo têm origem no desmatamento, e que a Amazônia, juntamente com as florestas da Indonésia, são um caso preocupante. Yang Jiechi e Macapagal-Arroyo também aproveitaram a ocasião para felicitar Clinton pelo sucesso de sua esposa, Hillary, que foi apontada nova secretária de Estado no governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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