Divulgação
Divulgação

Seis onças morreram atropeladas neste ano em rodovias de SP

De acordo com levantamento realizado pelo 'Estado', outros quatro animais foram socorridos e levados para unidades de recuperação 

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2015 | 12h17

SOROCABA - Pelo menos seis onças-pardas morreram atropeladas desde o início deste ano em rodovias do interior de São Paulo. Outras quatro foram socorridas e levadas para unidades de recuperação de animais silvestres, conforme levantamento feito pelo Estado. No caso mais recente, na terça-feira passada, 14, um animal adulto foi encontrado já morto no canteiro central da SP-255, em Bauru, com marcas de atropelamento.

De acordo com a Polícia Ambiental, o número pode ser maior, pois alguns desses felinos acabam morrendo nas matas em consequência dos ferimentos. Em junho, foi registrada a morte de uma onça parda de 75 quilos na Washington Luís, em Matão, e no mês anterior, outro animal da mesma espécie foi sacrificado após ser atropelado na Brigadeiro Faria Lima, em Bebedouro.

Na região de Andradina, em março, uma onça parda de 40 quilos foi atropelada por uma viatura da Polícia Rodoviária, na Rodovia Marechal Rondon. De acordo com o policial que dirigia o veículo, o animal saiu da mata e invadiu a estrada. A onça morreu na hora e a viatura ficou danificada.

No mesmo mês, havia ocorrido a morte de uma onça na Raposo Tavares, em Presidente Venceslau. Em janeiro, uma onça morreu atropelada em Pederneiras.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com a redução das matas - seu hábitat natural -, a onça-parda se adaptou aos canaviais, e o fez tão bem que a população do segundo maior felino brasileiro está em alta no Estado.

A reprodução é favorecida pela redução na queima da cana, que passou a ser colhida com máquina. Porém, o ciclo relativamente curto da lavoura, trocada a cada seis anos, fez com que o animal passasse a ter maior mobilidade. Como as regiões canavieiras são cortadas por muitas estradas, o risco de atropelamento aumenta.

O instituto fez uma parceria com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) visando à orientação de funcionários das usinas e à capacitação de técnicos para a proteção desse felino. Somente a Associação Mata Ciliar, de recuperação de animais silvestres, em Jundiaí, recebeu duas onças-pardas feridas nos últimos meses. Uma delas ainda se recupera de um atropelamento. Outros dois animais foram levados para a Associação Protetora de Animais Silvestres de Assis (Apass).

A Concessionária Auto-Raposo Tavares (Cart), que administra rodovias no oeste paulista, registrou 971 ocorrências com animais silvestres de janeiro a 19 de julho deste ano, em um trecho de 160 quilômetros da Raposo, entre Rancharia e Presidente Epitácio. Desses, seis foram incidentes com felinos, sendo quatro com jaguatiricas e dois com onças-pardas.

A concessionária já instalou 23 passagens subterrâneas e cercas de condução nas áreas mais críticas para a fauna, além de sinalização para os motoristas. Outros 30 túneis estão sendo construídos. Nesses locais, houve queda de até 100% nos acidentes com animais.

Conforme dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) da Universidade Federal de Lavras (Ufla-MG), 377 mamíferos foram atropelados desde o início do ano no Estado de São Paulo, sendo o cachorro-do-mato, o tatu e a capivara as principais vítimas.

De acordo com o pesquisador Alex Bager, são computadas apenas as mortes registradas por parceiros do CBEE via celular, o que representa uma fração das ocorrências. Além as onças-pardas, houve registros de mortes, neste ano, em São Paulo, de duas jaguatiricas e de um puma jaguarundi, felinos ainda mais raros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.